28.2.11

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Orla de Santo Antônio de Lisboa
IMAGENS SEM COMENTÁRIOS
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NOTÍCIAS DO CABO
Farol de Santa Marta pede socorro
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Militância comunicacional
(Raul Fitipaldi)

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SEM COMENTÁRIOS




Santo Antônio de Lisboa. Decks em construção. Fotos: Celso Martins

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NOTÍCIAS DO CABO
Nota à imprensa



Farol de

Santa Marta
pede socorro!


Mesmo com chuva o evento esportivo reinvidicativo é realizado

Dando continuidade as manifestações a favor do saneamento básico da Prainha do Farol de Santa Marta, jovens de 17 a 25 anos reuniram-se hoje dia 27 de fevereiro de 2011 para pedir apoio dos governates, da Casan e Prefeitura, para canalizar o esgoto e, futuramente, instalar uma estação de tratamento de efluentes.

As 14 horas, iniciou o campeonato sub-25 de futebol de areia, aproximadamente cem pessoas entre moradores, turistas e crianças, prestigiaram os jogos e por volta da 15 horas escreveram nas areias da Prainha um cordão humano clamando S.O.S, cartazes pedindo ajuda, e solicitando ao Governador saneamento básico.

Um problema que vêm agravando se ano a ano e chegou no seu limite. A prefeitura diz que é responsabilidade da Casan e a Casan diz que é responsabilidade da prefeitura. A comunidade de forma pacífica e afim de somar esforços com o poder público, pede para ser ouvida.

Chega de Esgoto! O destino turistico e a casa da comunidade tradional de pescadores artesanais FAROL DE SANTA MARTA PEDE SOCORRO. Certamente que nos ouvir estará fazendo um bem de utilidade pública.

A solução só depende do envolvimento dos responsáveis, com apoio e aproximação da comunidade. Fornecer a canalização e um futuro tratamento do esgoto.

Acreditamos que isso é o progresso responsável. Chega de Esgoto queremos as praias limpas e um desenvolvimento responsável.

Atenciosamente,

Carolina G da Silva
Foto e texto
ONG Rasgamar-Na defesa da Natureza

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Militância comunicacional
cresce e se aprimora


Por Raul Fitipaldi*

2011 vem rico em mudanças e com renovadas perspectivas para a comunicação e o jornalismo alternativo em Santa Catarina. A Agência Contestado de Notícias Populares AGECON, mudou o desenho da sua página dando a ela mais leveza, mais facilidade de busca e uma melhor apresentação de conteúdos. Acresceu o sítio de relacionamento Twitter e, dentre outras novidades, agregou o espaço Poesia em Luta. Além da beleza, tem a capacidade aumentada de informar, educar e mobilizar. e o aprimoramento na compreensão de que a Soberania Comunicacional começa a transitar-se por dois vetores fundamentais: a capacidade da comunidade de se apropriar dos meios de relacionamento e socialização tecnológicos, e a vontade militante dos jornalistas profissionais e educadores em exercer a tarefa fundamental da distribuição da produção do conhecimento e a informação, de forma verdadeira e compreensível.

Nestes meses então há novidades em todo esse novo espectro informativo que se apresenta como Rede Popular Catarinense de ComunicaçãoRPCC. Sigla coletiva que começa a se desenvolver contra os tsunamis da mídia monopólica e uniformizadora. Esse clima iniciado com o último livro da historiadora Urda Klueger, maior postadora de notícias da Rede: “Meu Cachorro Atahualpa”, segue com o enriquecimento tecnológico de Portal Desacato e a parceria deste com a Revista Pobres & Nojentas, de modo a oferecer de forma gratuita ao leitor, por via virtual, a coleção da Revista de Classe que fará 6 anos este ano. Só o número que ainda estão na banca não forma parte da coleção virtual. Se alarga com o novo irmão gráfico, o Jornal Daqui, que faz a cobertura das informações e notícias das comunidades de Santo Antônio de Lisboa e região, na Capital do Estado. Este novo veículo conta com a prestigiosa direção do jornalista e historiador Celso Martins, que participa em vários veículos da Rede. Pobres & Nojentas também incorporou um novo sitio de relacionamento coordenado pela jornalista Marcela “Loura” Cornelli. O mesmo fez Desacato entregando a coordenação do sítio Twitter ao seu diretor Marco Arenhart.

Mas, o esforço da Rede não pára por aí. Segue os caminhos abertos no 2º Encontro pela Soberania Comunicacional de 2010 e devolve a Honduras o carinho que ela nos proporcionou com a visita dos jornalistas Rony Martínez Chávez e Ronnie Huete. Com a sustentação tecnológica de Wilmar Frantz Jr. e a colaboração da Rádio Globo Honduras, a jovem colega do Portal Desacato, Larissa Cabral, partiu a Honduras, para, desde a Capital, Tegucigalpa, com a contribuição de vários colegas jornalistas hondurenhos, fazer desde este 1º. de março de 2011, a primeira experiência desde o exterior para a Rede, desde o Portal de comentários e notícias latino-americanas e mundiais da nossa Rede, com reportes diários da sua visita através do espaço: Diário de Honduras, por Larissa Cabral, no www.desacato.info.

É o aprimoramento na compreensão de que a Soberania Comunicacional começa a transitar-se por dois vetores fundamentais: a capacidade da comunidade de se apropriar dos meios de relacionamento e socialização tecnológicos, e a vontade militante dos jornalistas profissionais e educadores em exercer a tarefa fundamental da distribuição da produção do conhecimento e a informação, de forma verdadeira e compreensível.

Vem mais um sítio por aí (ta no forno) e outros projetos de serviço comunicacional que estão em desenvolvimento. Uma parte disso está sendo construída em cada veículo da Rede e a outra, na militância de cada trabalhador da comunicação popular e do jornalismo, que não cessa em buscar a Soberania Comunicacional e a Liberdade de receber a informação sem a censura e a distorção dos monopólios.

*Raul Fitipaldi é jornalista do portal Desacato. Texto produzido para a Rede Popular Catarinense de Comunicação.

27.2.11

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Nossas praias estão
próprias para o banho

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A crônica de Olsen Jr.


Praia da Ponta do Sambaqui

Balneabilidade 10

As praias do distrito de Santo Antônio de Lisboa e imediações estão próprias para o banho, segundo o último relatório da Fatma. Ao todo foram feitas sete coletas nas praias de Sambaqui (Ponta e Flores) e Santo Antônio (dois pontos), Daniela (um ponto) e Cacupé (dois), todas no último dia 22.

Apesar desse resultado positivo, coletas anteriores indicam a existência de problemas na praia das Flores (Sambaqui), que em 11.1.2011 em 15.2.2011 esteve imprópria (E . C o l i, NMP*/100ml, 3000 nas duas datas). Também em 15.2.2011 a praia central de Santo Antônio esteve imprópria (E . C o l i, NMP*/100ml, 2800). Em Cacupé, na Daniela e na Ponta do sambaqui (Sambaqui), não foram verificados problemas na qualidade da água nas oito últimas semanas.

Dos 64 pontos examinados pela Fatma em Florianópolis, 32 se encontram próprios para o banho e 32 impróprios (50% a 50%). A situação mais grave parece ser na Lagoa da Conceição, onde os 12 pontos de coletas apresentaram contaminação (impróprios para o banho). O drama se estende a Canasvieiras (três dos seis pontos analisados estão impróprios) e Ponta das Canas (dois impróprios de três pontos).

Fonte: Fatma


Praia de Santo Antônio. Fotos: Celso Martins

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COISAS DE POETA


Por Olsen Jr.

Pessoas que escrevem, isto é, que possuem no biotipo o gene (recessivo ou não) da literatura, costumam tomar certas precauções para que uma boa ideia não se perca. O princípio que os norteia é o mesmo: não confie na memória, anote. Para isso então, nada mais justo que andar sempre com uma caneta no bolso e um pequeno bloco ou algumas folhas de papel dobradas de maneira que se possa tirar o maior proveito delas.

Já previno que andar com uma caneta no bolso da camisa é contra a etiqueta. Pode dar a impressão que o usuário é algum comerciante que esqueceu o seu objeto de trabalho, no mesmo nível de alguém que saia à rua com um avental. É o risco, mas o que vale mais? Um detalhe na indumentária que poucos dão importância se deveria ou não estar ali ou a possibilidade de perpetuar uma ideia, um texto, uma frase com o seu pronto resgate mediante o uso da caneta? Aliás, a caneta bic foi citada recentemente em uma coletânea contendo os 100 maiores ícones do design moderno.

Sou um destes que sacrifica as aparências para assegurar uma ideia. Sempre ando com uma caneta, mas quase nunca com um papel como o descrito anteriormente. Dou um jeito, pode ser o verso de uma nota de posto de gasolina, um cartão da mega sena, um guardanapo, uma comanda de bar, enfim, qualquer base que suporte um traço.

Sei quando a semana foi boa pelo volume de papel rabiscado durante o período e que fica acumulado nos bolsos das calças, passando de uma para outra até tomar a decisão de registrar tudo aquilo em um caderno.

Quando o “santo baixa” ele não escolhe o lugar e tampouco o assunto. Pegando os papeis a esmo, diz um “A natureza das coincidências é a imprevisibilidade”; outro “O problema da humanidade são as pessoas”; e mais “Se tem algo que não suporto é um bar que não conheça”; “De todos os vícios, sem dúvida, a bebida é um dos mais saudáveis. Eu, por exemplo, depois de uma noitada com os amigos, nunca desprezei um copo d’água”; “Em certo sentido os políticos são os mesmos em todo o mundo. Parodiando Fernando Pessoa, o político é um enganador/ engana tão absurdamente/ que faz a mentira supor/ que é a verdade quem mente”.

Tem frases que parecem arrogantes, mas não são, apenas insights, “sacadas” se preferirem, “Longe de mim ser igual aos meus semelhantes”, por exemplo.

Toda a coisa não significa a coisa toda, pensa o filósofo buscando uma saída... E vice- versa acrescenta o político acreditando ser decisivo para encontrá-la”.

A política e seus agentes, o dia a dia, tudo se presta para uma blague, prefiro a filosofia, vai a minha favorita, “Não precisa pensar como eu, basta pensar comigo!”

26.2.11

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SAMBAQUI MAGAZINE

ABS discute futuro do Casarão - Emanuel Medeiros Vieira lembra antigos professores - As histórias alheias de Amílcar Neves - Honduras (Larissa Cabral) e Gaza (Raul Fitipaldi) - Novo protesto no Farol de Santa Marta (Laguna-SC)

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Casarão da ABS
Futuro do imóvel começa

a ser discutido em março


A diretoria da Associação de Bairro de Sambaqui (ABS) realiza no dia 19 de março (sábado), às 15 horas, a primeira reunião para definir o futuro do Casarão da Ponta, atualmente com obras de restauração. O futuro do imóvel erguido em 1854 é objeto de polêmicas envolvendo integrantes da ABS, moradores e o poder público.

Existem aqueles que defendem a inauguração somente após a conclusão das obras de recuperação do anexo onde estão a cozinha e instalações sanitárias. Desse modo, o Casarão permaneceria fechado até a conclusão final dos trabalhos. Outros propõem a imediata inauguração da parte principal do imóvel, enquanto prosseguem as obras no anexo. A vice-presidente da ABS, Dóris Gomes, por exemplo, quer a definição da "data de inauguração para mantermos o casarão aberto, o quanto antes".

Na próxima semana, segundo Dóris Gomes, a diretoria da ABS se reunirá com a Secretaria de Obras de Florianópolis para discutir o futuro do anexo que, segundo o órgão municipal que cuida do patrimônio histórico da cidade, deveria ser posto abaixo. O vice-prefeito João Batista Nunes, numa das ocasiões em que assumiu a chefia do Executivo municipal, visitou o Casarão e se comprometeu com a restauração do anexo.

Passada essa polêmica, teremos outra, envolvendo o futuro do Casarão e sua manutenção. A idéia que começa a ganhar corpo sugere a instalação de um ponto de venda da produção artística e artesanal da região, incluindo as rendas, tarrafas e outros objetos. Nesse caso, uma parte dos recursos seria destinada à manutenção do espaço, que poderá abrigar atividades culturais em geral (música, cinema, teatro, exposições).

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LEMBRANDO
ANTIGOS

PROFESSORES


(Ensinamentos para se enfrentar
a mediocridade reinante)


Por Emanuel Medeiros Vieira


Os poetas, como os cegos, enxergam na escuridão.

Hoelderlin já nos ensinava: “O que permanece, fundam-no os poetas.”

Alphonsus de Guimaraens Filho escreveu: “Se não for pela poesia/como crer

na eternidade?”

Numa mensagem, meu amigo Ronaldo Cagiano, confessa: “Um minuto no túmulo de Balzac, uma tarde à beira do Sena ou um café n’A Brasileira, onde sentou Pessoa, me ensinam mais que todas as religiões e filosofias.”

Kafka já dizia: tudo o que não é literatura me aborrece.

Complementa Cagiano, o colega escritor: Não tenho medo de andar contra a corrente. A vida não é feita de adesões ao política, estética e culturalmente correto, mas ao que tem dimensão onírica, humana e solitária. E isso não dá votos, nem resenhas na Folha.”

O mais difícil – nos tempos em que se confunde uniformidade com igualdade – é permanecer fiel a si mesmo.

Há uma espécie de robotização, de mediocrização, em favor do gosto “médio”, para que não se veja além.

Mesmo com recursos tecnológicos, as imagens que circulam, no geral, são veiculadas apenas para vender, e o lixo dominical da TV aberta é a prova maior do que se quer dar para o rebanho.

É uma espécie de idiotização da mente.

Mesmo sabendo que o ser humano, em sua maioria, tende para a mediocridade e para o conformismo, a banalização dos valores e da vida só não espanta as consciências mais resignadas.

Insisto: é preciso ter disciplina, um projeto, e correr atrás dele, sem buscar álibis ou desculpas pelas dificuldades enfrentadas, evitando a auto-comiseração ou o fácil papel de vítima.

Por- que se escreve?

Porque – segundo Memo Giardinelli – só a arte e a literatura podem redimir o gênero humano, com mais tendência à mediocridade que ao talento.

Não tenho outro poder, senão o de buscar dizer a verdade diariamente naquilo que escrevo.

Um professor humanista, no curso Clássico (e não tínhamos ainda 20 anos), já advertia, quando percebeu o meu interesse e de outros colegas pela literatura e pela arte:

Não textualmente – assim, não coloco aspas –, ele dizia o seguinte: Preparem-se. Sigam em frente. Mas não vai ser fácil. Quase tudo conspirará contra vocês. Os fundamentos da mediocridade e da defesa da existência leviana, vazia são muito fortes e estão enraizados na sociedade.

Só querem que valha o que dá dinheiro.

Mas não nunca desistam. Alguns, antes dos 40, já terão vendido a sua alma. Não importa.

Só os iluminados chegarão mais longe. Mas com a consciência que sempre haverá pedras no caminho.

Vocês terão instantes tão belos e intensos, que eles compensarão

as mesquinharias, a inveja, a tendência de muitos de querer destruir aquilo que não conseguem para si mesmos. É a tendência de achar que dando cotoveladas no outro (naquele que se inveja), o invejoso se destacará.

Ou, em outras palavras: não faço, mas não quero que ninguém faça.

É a prevalência dos baixos instintos: inveja, ciúme, posse.

Mas o iluminado é maior que isso.

Quando penso nesse querido mestre, lembro-me das palavras de Carlos Castãneda:

“Sabemos que nada pode temperar tanto o espírito de um guerreiro quanto o desafio de lidar com pessoas intoleráveis em posições de poder.”

(Salvador, fevereiro de 2011)

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HISTÓRIAS ALHEIAS


Por Amílcar Neves*

Ao topar com uma referência a Emanuel Swedenborg no livro Não Mais, de Czeslaw Milosz, dois nomes saltam à mente: Péricles Prade e Jorge Luis Borges, os quais, de maneira direta ou indireta, citam o cientista sueco nascido em 1688 (e morto em 1772); Prade em Correspondências - Narrativas Mínimas, Borges em História Universal da Infâmia.

Com reputação consolidada na Europa por suas obras de álgebra, geologia, mineralogia, astronomia, fisiologia, física, "etc.", não era estranho a Swedenborg o fato de que a Natureza podia ser explicada e compreendida a partir de um conjunto de equações matemáticas. O que o incomodava de maneira crescente era a convicção angustiante de que essa Natureza lógica começava a tomar o lugar de Deus na imaginação das pessoas instruídas. Com o avanço das ciências, a universalização e a popularização da instrução, Deus corria risco cada vez maior e "o próprio cristianismo estava entrando, em sua opinião, numa fase de declínio definitivo", conta Milosz. A fé religiosa, embora ainda habitasse sua boca, já havia sido expulsa do coração dos homens pelo Século da Razão.

Então, aos 55 anos, Swedenborg tem uma visão em que um anjo lhe aparece fazendo-lhe revelações profundas. "Ao despertar", relata Álvaro Cardoso Gomes, "passou por um longo período em estado catatônico e, só depois disso, é que começou a divulgar a nova doutrina, a partir das revelações e do que ele próprio viu em seus sonhos místicos." Henryk Siewierski e Marcelo Paiva de Souza jogam um pouco mais de luz sobre esse transe: "Swedenborg proclamava ter recebido de Deus o dom de ingressar em vida no reino dos espíritos, e ao longo de quase 30 anos, dia a dia, sem deixar este mundo, visitou o outro." Tais viagens são narradas em sua importante obra Arcana Cœlestia.

Borges, no livro citado, reconta uma dessas visitas sob o título Um teólogo na morte: Melanchton, o teólogo, morreu e recebeu no outro mundo uma casa igual à que tinha na Terra. Assim, ao acordar, "reatou suas tarefas literárias como se não fosse um morto". Por desmerecer o céu, pois argumentava em seus escritos que à salvação da alma bastava a fé, dispensando a caridade, "os móveis começaram a se encantar até se tornarem invisíveis". Aos poucos, também sua casa e suas roupas foram se deteriorando, o que lhe revelava seu destino eterno.

Acabou "como que um criado dos demônios".

*Amilcar Neves é escritor com oito livros de ficção publicados, diversos outros ainda inéditos, participação em 32 coletâneas e 44 premiações em concursos literários no Brasil e no exterior. Prepara o lançamento de Se Te Castigo É Só Porque Eu Te Amo (teatro). Crônica publicada na edição de 26.2.2011 do jornal Diário Catarinense (Florianópolis-SC). reproduçãpo autorizada pelo autor.

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LARISSA EM HONDURAS

Acompanhem no Portal DESACATO o "Diário de Honduras" da acadêmica de jornalismo da UFSC Larissa Cabral, cujas postagens começam nesta segunda-feira (28.2) e se prolongam até 14 de março, quando retorna a Florianópolis. Natural de Joinville, Larissa vai mostrar em seu trabalho de conclusão de curso a realidade do jornalismo de resistência após o golpe de estado de 2009 naquele país. Mais em www.desacato.info.

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Enquanto
as bombas
caem em Gaza


Por Raul Fitipaldi

Desde que começaram as primeiras escaramuças na Tunísia, leio com certo desconforto, que muitos colegas começaram a enxergar revoluções atrás de postes, na fila da padaria e no canto das torcidas organizadas. Ora, que difícil é para nós entendermos minimamente o que acontece no meio oriente, e com que cota de esforço tentamos nos separar da mídia dominante, e lembrar que no meio disso tudo o exército israelense continua bombardeando Gaza; que as potências de ocidente têm com o mundo árabe todo o mesmo instinto que já tiveram com o Iraque. Segue....

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Farol de Santa Marta
Laguna-SC

Praia com 300 metros tem sete focos de esgotos


“PRAINHA em PROTESTO”



Haverá neste fim de semana, domingo 27 de fevereiro de 2011, mais um evento protesto a favor do saneamento básico da Prainha do Farol de Santa Marta.

Nos dias 12 e 13 de fevereiro aconteceu o Iº Campeonato de Futebol Feminino do Farol de Santa Marta, categoria mirim e infantil onde foi realizada uma manifestação pacífica e divulgada na imprensa local e estadual.

Agora é a vez do Sub-25, jovens de 17 a 25 anos estarão jogando em manifesto pela mesma causa.

Será realizada mais uma manifestação com faixa e cartazes para as autoridades que agora queremos solucionar o problema.

A impunidade e a falta de interesse sobre o assunto deixaram a Prainha imprópria para banho e uma ameaça “ao ar livre” a todos que usufruem do espaço.

Atualmente são sete focos de esgoto em uma extensão que não chega a trezentos metros.

O evento visa chamar a atenção da população e das autoridades para o problema e abrir a discussão para a solução.

“Com dois mil metros de cano resolvemos a primeira parte do problema que é coletar o esgoto e tirar da faixa de areia. Num segundo passo seria a implantação das estações de tratamento para tratar o esgoto antes de despejar”. Afirma João Batista Andrade presidente da ONG Rasgamar. “Os córregos pluviais estão sendo usados para despejar o esgoto 'in natura' na Prainha desde o início da década de 80, nossos filhos não podem ir mais a praia”.

Segundo Batista, "fomos convidados pelos jovens a organizar um novo manifesto. Eles que tomaram a iniciativa e isso nos gratifica muito, pois sem envolvimento comunitário a solução fica difícil".

Um terceiro evento está sendo alinhavado para o mês de março com participantes de 35 a 55 anos, todos pescadores do Farol de Santa Marta, que estão se juntando a causa.

Será enviado convite especial ao prefeito de Laguna e ao presidente da CASAN para que ambos participem de uma mesa redondo com o Conselho Comunitário do Farol de Santa Marta, afim de tirar a proposta do papel.



25.2.11

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É HOJE!


MAIS:
Rock no Rancho II
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balneabilidade
,
TCC em Honduras,
começa o Carnaval no Baiacu


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Carnaval alternativo
em rancho de pescador

O Rock no Rancho II acontentece no dia 5 de março, sábado de Carnaval, com as presenças já confirmadas das bandas Cave e Capitão caverna. O ronco começa às 11 horas. Os interessados devem encaminhar até o dia 3.3 um e-mail ao organizador do evento, Marcelo Rocha, confirmando presença. Cada um ou uma deve levar uma caixa de cerveja em lata (355ml), gelada, além de carne (linguiça, carne de gado, ovelha ou porco) temperada.

As bebidas e alimentos serão colocadas em caixas de isopor para conservação. O gasto média por pessoa ficará em torno de R$ 12,00, mas a parte das despesas com gelo, guardanapos, copos descartáveis, papel toalha, papel higiênico, talheres, carvão, pão, farofa e outros. O rancho fica na Ponta do Sambaqui e servirá para os esquentas do "Camarão do Dandão" e desfiles dos blocos Engenho de Dentro e Baiacu de Alguém.

E-mail de Marcelo Rocha (marcelor@softplan.com.br)

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Começa a folia no
Baiacu de Alguém


Amanhã, sábado (26.2), tem Pré-Carnaval Avant Première Baiacu de Alguém, com início às 20h30 na sede do bloco. Ingressos a R$15,00 - com a camiseta do Baiacu, que podem ser adquiridas na hora, R$5,00. Animação da Banda Carnavalesca do Baiacu, integrada pelos seguintes músicos:

Fidel Pinero - trumpete
Pedro Pereira - Sax tenor
Ney Platt - sax alto
Elói Mello - guitarra
Rafael - violão de sete
Marcelo Frias - bateria
Julio e Jane - vocais
Guima e Denilson - percussão

Saiba mais no site do Baiacu.


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Quase 60% das praias
de Florianópolis estão

impróprias para o banho


Confira a matéria da jornalista Vera Gasparetto no site PortoGente.


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Estudante de Jornalismo da UFSC
vai a Honduras nesta segunda-feira


Joinvilense com 22 anos de idade, a acadêmica de Jornalismo da UFSC Larissa Cabral embarca na próxima segunda-feira para Honduras. Vai colher depoimentos e observações para seu trabalho de conclusão de curso, focando no trabalho dos jornalistas hondurenhos após o golpe de 2009, sobretudo a rádio Globo local. Ela permanecerá em Tegucigalpa, onde agendou entrevistas com colegas jornalistas, alguns engajados na Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) e outros atuando de modo independente, mas todos preocupados com a restrições ao trabalho ao exercício da profissão naquele país.

Ela também pretende ouvir o "outro lado", ou seja, alguns responsáveis pelo golpe que depôs o ex-presidente José Manuel Zelaya. "Vou fazer jornalismo, ouvir as partes envolvidas no processo", observa Larissa. Ela terá grande apoio do jornalista Rony Martinez, que esteve no início de 2010 em Florianópolis, a convite do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, e carro-chefe da rádio Globo ao lado de David Romero, sobretudo na fase posterior ao golpe. Abaixo um texto do jornalista Raul Fitipaldi, diretor do Portal Desacato, apresentando a jovem (quase) jornalista. (C. M.)

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Queridos colegas hondureños

Me siento muy feliz, como todos los colegas periodistas de Florianópolis y comunicadores sociales de nuestra Rede Catarinense, y en especial del Portal Desacato, por anunciar que el próximo martes 1o. de marzo, a la tarde de Tegucigalpa, llegará a Honduras nuestra joven compañera Larissa Cabral.

Como director del Portal Desacato, tengo la gran tranquilidad de que Larissa será recibida maravillosamente por todos ustedes, y en ese sentido, agradezco de forma muy especial el esfuerzo de los colegas de Radio Globo y en particular de mi hermanito centroamericano, Rony Martínez Chávez ,que cuidará de varios aspectos fundamentales en la visita de Larissa.

Ella tendrá el gusto de devolver la visita que Rony Martínez (gracias a los auspicios del Sindicato de Periodistas de SC) y nuestro querido Ronnie Huete (bajo los auspicios humanos y políticos de nuestro querido Celso Martins) han hecho a nuestra Isla, hermana inseparable de Honduras desde el 28 de junio de 2009.

Larissa ha elegido para concluir su graduación como periodista profesional en la Universidad Federal de Santa Catarina - Brasil, la paradigmática acción de los periodistas hondureños que no se doblegaron ante el Golpe Militar. Tomando como base la actividad de Radio Globo, y también el ejemplo de Radio Progreso, Radio 1, Radio Gualcho, Cholusat TV, la Red Morazánica y otros medios, Larissa producirá un trabajo pujante y sin duda de alta calidad sobre vuestra historia periodística, social y política.

Es importante decir que Larissa se tornará "periodista profesional", de esta manera, en territorio hondureño. Por lo tanto, contamos con el cariño de todos, la ayuda "juvenil" de Helen Ocampo; la militancia de Diana Canales; la fraternidad de Ricardo Salgado, compañero querido que hemos conocido personalmente a través de nuestra directora Tali Feld Gleiser en Santo Domingo; el cariño rebelde y puro del gurí alto y tierno que conocemos como Ronnie Huete Salgado, y la palabra experiente del colega y amigo diario David Romero.

Finalmente, será un gran orgullo para nosotros que Larissa entreviste a todos ustedes y a otros colegas tan marcantes como Lenis Fajardo, Lidieth Díaz, Luis Galdamez y a trabajadores que llevamos en nuestro corazón como Manuel Alvarado, Franqui y otros.

Emitiremos recortes y notas de la visita de Larissa en un espacio llamado "Diario de Honduras, por Larissa Cabral". Contamos con la protección a nuestra jovencísima y talentosa colega y compañera del Portal Desacato.

Mi abrazo entrañable compañeros y mi agradecimiento luchador y libertario,

Raul Fitipaldi
www.desacato.info

24.2.11

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Bloco
ENGENHO DE DENTRO

Enredo do Carnaval 2011


O QUE SAMBAQUI TEM?

23.2.11

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As crônicas de
Urda Klueger
e

Amílcar Neves



O vôo do socó na Ponta do Sambaqui. Foto: Celso Martins

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MELADO COM FARINHA

Por Urda Alice Klueger*

É uma sexta-feira 13, e na minha cidade de Blumenau faz tanto calor quanto penso o tanto de calor que um dia senti em Cartagena das Índias, no Caribe Colombiano. Sobrevive-se, creio, por conta da magia do canto das cigarras, que lá fora, às centenas, parecem querer cantar até rebentar, e deixam na boca da gente um gosto como o chocolate que se come no Natal, quando se é criança.

Então, num calorão destes, jamais imaginaria que estaria, faz algumas horas, a ter recordações dos ternos invernos da minha infância, dum tempo da minha vida em que tudo era tão diferente que nem dá para fazer comparações. E o que terá acontecido para me trazer o refrigério dos invernos do passado para dentro desta loucura de calor eivado de canto de cigarras?

Acho que tudo aconteceu porque o tempo passou, e crescemos, e envelhecemos, e minhas sobrinhas e sobrinhos cresceram e tiveram seus filhos e filhas, e agora já é tempo de velhas vivências com os novos membros da família, que ensaiam seus primeiros passos na vida. Para encurtar conversa, conto que nesta semana estive acampando por três dias com três dos bisnetos dos meus pais, mais minha sobrinha Anna Paula. Era uma escadinha de crianças adoráveis, entre 3 e 6 anos, Valentina, Alice e Bartolomeu. Diogo não veio; Rafael ainda vai nascer em abril. Foram tantas as vivências nesses parcos três dias que penso que sempre terei mais o que escrever a respeito.

Quando soube que haveria tanta gente para acampar e que iria armar minha barraca grande, bateu a preocupação: faltava aonde dormir, precisava de mais colchonetes. Pensei primeiro em comprar alguns modernos colchonetes infláveis, mas aí minha mãe, do alto dos seus 84 anos, me cortou a intenção: ora, deixaria ela os bisnetos dormirem em algo menos que a sua coleção de antigas cobertas de algodão em novelo, verdadeiras relíquias que ela guarda tão ciumentamente desde seus tempos de noiva? Não, claro que não – e ela tirou cada coberta do seu esconderijo, e passou toda uma semana a virá-las e revirá-las ao sol, fazendo o antigo algodão lembrar-se dos seus tempos de planta,e abrir-se em flocos, deixando cada coberta transformada em pura maciez.

O acampamento passou com coisas inesquecíveis, como as crianças a irem dormir com receio do Saci-Pererê, por exemplo, e agora tento retomar a vida e organizar o que ficou a ser organizado. Antes de devolver as cobertas à minha mãe, no entanto, tirei suas capas brancas para lavá-las – e como foi grande o impacto dos primeiros invernos da minha infância que me chegou dentro deste dia de calor!

Ela está aqui, a minha cobertinha de quando tinha menos de 4 anos. Dobrei-a e coloquei-a ao lado do computador, tamanha energia emana. Acabo de medi-la com uma régua: tem um metro de comprimento por 80 cm de largura, e ainda é do mesmo delicado tecido cor-de-rosa que era quando eu era tão pequena! Nem consigo mais definir o tecido: uma cambraia? Uma organza? Não sei; sei que é rosa clarinho, com filas de minúsculas florzinhas vermelhas e azuis, com suas minusculazinhas folhinhas verdes! Seria ela que teria me deixado para sempre este meu gosto pelas roupas cor-de-rosa, pelas coisas cor-de-rosa? Não sei. Sei que está tão frágil que seu tecido fino se rompeu um pouco, quando a dobrei, mas internamente deve continuar forte e quente, e é tão macia!

Dentro do calorão e do som das cigarras viajei para aqueles meus primeiros invernos, para os dias sombrios com o som soturno das trovoadas, quando os pés ficavam gelados dentro das Alpargatas Roda enquanto eu espiava soturnamente os grandes, imensos mistérios da natureza lá fora.

Minha mãe era uma moça, naquele tempo – só eu é quem pensava que ela era velha. Naqueles dias de chuva ela sabia como distrair a criança que era eu - enquanto ela passava roupa a ferro ou costurava, colocava no chão minha cobertinha cor-de-rosa para que eu brincasse sobre ela, e me dava para comer a iguaria daqueles tempos: um pires com um pouquinho de melado e farinha de mandioca, junto com uma colherinha. Uma criança muito pequena levava a tarde inteira misturando o melado com a farinha, e comendo aquela coisa deliciosa! E as trovoadas, e as névoas, e os aguaceiros, e as garoas, e a escuridão precoce daquelas tardes tornavam-se ainda mais misteriosas e encantadas, porque havia o gosto bom do melado e o aquecimento macio da cobertinha cor-de-rosa, e aqueles dias se tornaram inesquecíveis na minha vida!

Agora, hoje, século XXI, tempo de edredons e outras novidades, dentro do calor de janeiro minha cobertinha cor-de-rosa ressuscita e me dá o maior baque de emoção – e revivo todo o cenário daqueles invernos onde usava casaquinhos de pelúcia vermelha, onde minha mãe costurava cantando hinos religiosos, e na minha boca, como há tantos anos não acontecia, como está forte, de novo, o gosto inigualável do melado com farinha dos dias de chuva!

Será que ainda devolvo essa cobertinha para a minha mãe?

Blumenau, 13 de janeiro de 2006.

*Urda Alice Klueger é escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR.
Busca refúgio em Sambaqui (Florianópolis-SC) para descanso e reflexão.

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Nelson no verão


Por Amílcar Neves*

Esse é o discurso que os políticos adoram, especialmente aqueles que, deputados ou vereadores, veem-se deslocados para o Executivo (estadual ou municipal) e não têm a menor ideia do que fazer com aquilo. Quer dizer, sabem muito bem o que precisam tirar daquilo mas ignoram as funções mais básicas do cargo que passam a ocupar: não há especialização nem vocação para o ofício, apenas partilha e ocupação dos "espaços" públicos em decorrência de cotas partidárias mais ou menos proporcionais ao peso das alianças forjadas durante a campanha eleitoral e mais ou menos condizentes com os compromissos econômicos assumidos para que a "luta" se tornasse vitoriosa. Findas as apurações, restam as contas a pagar.

Mas não é isso, e sim o discurso, o motivo desta crônica. O discurso é confortável e conveniente, estabelece com clareza especialmente o que não é preciso fazer, com o que não precisa a autoridade preocupar-se por uns tempos. Diz o seguinte: numa ilha, e por extensão em todo o litoral, os meses de verão são destinados ao ócio total e as pessoas de fora (e mesmo as de dentro) que procuram tais lugares querem apenas sol e praia, durante o dia, e festas e baladas, à noite. É beber, comer e cair no mar. Coisas complicadas e trabalhosas, como visitar um museu ou ler um livro, estão fora de qualquer cogitação, não encontram oportunidade nem espaço nos verões litorâneos - não condizem com as exigências e imposições da estação.

Então aparecem uns malucos dizendo que o discurso é falso, que isso é conversa de rei que anda nu, montam A Vida como Ela É... a partir de cinco contos do inesgotável Nelson Rodrigues e lançam temporada - de verão! - no venerável Teatro Álvaro de Carvalho, lá no Centro da cidade, suficientemente longe de qualquer praia frequentável.

As pessoas ainda não estão se estapeando na calçada do TAC para conseguir ingresso, mas o que se vê é gente de todo o País acorrendo a uma montagem que, para além do texto, mostra o trabalho de alto nível profissional do grupo local Teatro Sim... Por Que Não?!!!

Imagine-se agora se houvesse uma divulgação intensa do espetáculo - e de outros que poderiam simultaneamente subir aos palcos -, com venda de ingressos nos hotéis e sistema de vans para levar e buscar os espectadores. Como fazem Cuzco, Buenos Aires e a Cidade do México, por exemplo, que sabem promover turismo diferenciado.

*Amilcar Neves é escritor com oito livros de ficção publicados, diversos outros ainda inéditos, participação em 32 coletâneas e 44 premiações em concursos literários no Brasil e no exterior. Crônica publicada na edição de 19.2.2011 do jornal Diário Catarinense (Florianópolis-SC). reprodução autorizada pelo autor.

22.2.11

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100 ANOS DE
CARLOS MARIGHELLA



(E NECESSIDADE DE ABERTURA
DOS ARQUIVOS DA DITADURA)



Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

EM MEMÓRIA DE TODOS OS QUE TOMBARAM
NA LUTA PELA DEMOCRACIA NO BRASIL

Comemora-se este ano o centenário de Carlos Marighella.

Ele nasceu na “cidade da Bahia” (como muitos baianos, como Jorge Amado, chamam Salvador) em 5 de dezembro de 1911.

Na capital baiana ocorreu a IV Assembleia Nacional da Consulta Popular, que escolheu Marighella – o revolucionário baiano, que foi considerado por seus algozes o inimigo público número um da ditadura, – como o seu homenageado.

Foi assassinado em 4 de novembro de1969, numa emboscada preparada pelo DOPS, em São Paulo.

Sempre digo que somos criaturas da memória.

A lembrança do líder comunista não significa que se concorde com várias posturas que adotou na sua existência. Não se precisa concordar com tudo que um ser humano fez, para honrar a sua memória.

Mas, ele deu a vida pelos ideais em que acreditava.

Num mundo, como o nosso, tão cínico, consumista, de relativismo moral e de tremendo egoísmo, é algo raríssimo de se ver

Marighella – mulato, poeta, brincalhão, deputado comunista e guerrilheiro – , era filho de um imigrante italiano e de uma negra haussá.

Comemorar o seu centenário não deve ser um ato formal ou protocolar, mas em sua memória, luta pela abertura dos arquivos da ditadura.

Espero que a presidente Dilma, também vítima da tortura, lute para abrir os arquivos da ditadura.

Tenho consciência de que para ela – diante da pressão do fascismo subterrâneo ou claro, e de setores da mídia hegemônica – também não será fácil

Só com pressão popular, o pleito será concretizado.

Sim, Marighella estava armado (com seus companheiros) principalmente de coragem, enfrentando os anos de chumbo.

É considerado um dos homens mais corajosos do Brasil no enfrentamento da tortura.

O resgate da memória dos que tombaram na luta contra a ditadura, não pode ser esquecido.

Devido ao desconhecimento de nossa História, não são muitos os brasileiros que se lembram da trajetória do guerrilheiro baiano.

Carlinhos Marighella, seu filho e seus companheiros da Ação Libertadora Nacional – ALN, Takao Amano e Aton Fan, “devolveram num afetuoso discurso o cálido abraço” – como observou Carlos Pronzato – , que centenas de jovens lhes ofereceram num auditório lotado na noite de inauguração do evento nacional.

O problema da abertura dos arquivos e do resgate da memória foi enfrentado com coragem por países vizinhos.

Será difícil no Brasil?

Sim.

Para aqueles que não escolhem os caminhos fáceis da acomodação e da visão mesquinha de “que nada tenho com isso”, nenhuma conquista será obtida de graça.

Infelizmente, a maioria do STF interpretando a anistia de 1979 em favor dos torturadores, fez retroagir a história, renegou a tradição jurídica, ignorou os valores democráticos e os tratados internacionais, como lembrou Roberto Martins.

Segundo ele, o velho Ruy Barbosa deve ter-se revirado no túmulo ao saber do voto dos sete ministros que esqueceram as lições do Direito.

Em 1896, Ruy chamou de “anistia inversa” aquela que condenou os beneficiados a passarem dois anos sem poder recobrar seus direitos.

Agora, caberá a Corte Interamericana a palavra final.

(Salvador, fevereiro de 2011)
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SHOW BENEFICENTE

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IRMÃ NATÁLIA
no DAQUI Jornal



O DAQUI Jornal acaba de ganhar um grande reforço: a presença de Juraci Andrade Pires, Irmã Natália, como a mais recente colaboradora. Nascida na Barra do Sambaqui em 30 de setembro de 1926, filha de Roldão da Rocha Pires e dona Virgínia Andrade Pires, professora na adolescência e parte da juventude. Ingressou na Irmandade da Divina Providência e foi consagrada em 1948, tendo dedicado boa parte de sua missão entre os pobres do Nordeste brasileiro.

A estréia de Irmã Natália no DAQUI Jornal acontece já na próxima edição que circula no dia 13 de março. Inicialmente ela vai escrever sobre sua mãe, dona Virgínia, e a educação que transmitiu aos filhos. A integração de Irmã Natália ao projeto de comunicação alternativa do distrito de Santo Antônio de Lisboa reforça o empenho de valorizar e trabalhar a memória coletiva das comunidades locais.

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Opinião
O sentido do trabalho

Por Dino Gilioli*

Os defensores do sistema capitalista prometeram que com os avanços tecnológicos os trabalhadores teriam mais tempo para o lazer, para o ócio; enfim, para viver uma vida mais tranqüila e mais saudável. O que se observa é justamente o contrário. Raras exceções, os trabalhadores acordam mais cedo e dormem mais tarde para “dar conta” de suas responsabilidades profissionais, familiares. Isto não quer dizer que a tecnologia é algo mal ou bom por si mesma. O fato, é que devemos percebê-la sem nenhuma ingenuidade ou romantismo. A tecnologia, que tem contribuído para melhorar a vida das pessoas, é a mesma que tem provocado a extinção de algumas profissões, a redução de postos de trabalho e o aumento do desemprego. É a mesma que tem servido de instrumento, no atual sistema, para aumentar os ganhos financeiros de alguns poucos em detrimento do aumento da carga e do ritmo de trabalho para muitos.

O que se vê é mais gente levando tarefa para casa e carregando o celular até para o banheiro, isto quando não dorme com ele ao lado do travesseiro. Além disto, os famosos emails ganharam notoriedade e vida própria, nos finais de semana e em qualquer horário este recurso está à disposição dos “viciados” em trabalho, dos amantes da “produtividade”. Já que nos dizem que o tempo é precioso, não dá para perder tempo não é mesmo? Sim, o tempo é precioso, mas para quê e para quem? Temos uma agenda lotada, mas nem sempre a vida é cheia de sentido e, não raras vezes, o trabalho preenche um vazio ou – no mínimo, nos proporciona confortável fuga.

Qual o sentido do trabalho e que espaço ele deve e pode ocupar na vida? Como não vivemos para sempre, o importante é tentar aproveitar a vida e o tempo da melhor maneira possível; porque o resultado dessa correria toda só pode ser dores, ansiedade, esgotamento. Não por acaso, pesquisadores já identificaram diversas doenças relacionadas ao excesso de trabalho. Estresse, distimia, depressão e burnout são apenas algumas. Mas há também as chamadas doenças ocupacionais, que nem sempre são perceptíveis a olho nu. Tais doenças têm o poder de aprisionar o indivíduo, de calar sua expressão e provocar um sofrimento silencioso. A pessoa afetada perde aos poucos a capacidade de desempenhar tarefas simples e de se comunicar normalmente. Quando não levadas a sério, as doenças do trabalho podem incapacitar as pessoas para a profissão e para a vida.

Antes que o pior aconteça precisamos lembrar, como nos adverte Charles Chaplin, de que “não sois máquinas, seres humanos é que sois”. Não devemos ser escravo de ninguém e de nada, muito menos podemos tolerar uma sobrecarga, um ritmo de trabalho que extrai de nós o direito de viver com saúde, com mais dignidade humana. As propagandas, os apelos diários ao consumo, nos impelem a uma vida de aparência, de um “status” pré-estabelecido; remetendo-nos, quase sempre, a querer mais e mais, a adquirir coisas que – na maioria das vezes, não faz nenhum sentido. Pense nisto.

*Dino Gilioli é diretor do Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis - Sinergia. Texto distribuído pela Rede Popular Catarinense de Comunicação/Soberania Comunicacional.


21.2.11

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AGECON
de cara nova!



O domingo 20/02/11, ficará registrado na história da Agência Contestado de Notícias Populares – AGECON, pois marca o início da segunda etapa do fazer comunicacional, desse veículo de comunicação que tem como lema: “Comunicação a serviço dos Trabalhadores e Trabalhadoras”.

A primeira etapa se estendeu de 13 de abril de 2008, até a AGECON completar 60.000 acessos, registrados no ultimo sábado (19/02). Segundo João Leandro responsável pela parte técnica da AGECON “A primeira etapa, serviu como um grande aprendizado, e agora que a AGECON está próxima de completar 03 anos de atividades, precisamos ampliar a qualidade do que estamos fazendo, por isso realizamos a renovação de nossa página”.

Os novos recursos no Portal da AGECON buscam facilitar o acesso a notícia. A página conta agora com recursos de vídeo, e também com conexão as redes sociais como o Twiiter. O espaço “Poesia em Luta” é uma dessas inovações na maneira didática de debater idéias, pensamentos, notícias. A cara nova da AGECON, no entanto, não substitui os velhos desejos de transformação e mudanças necessárias para tornar a sociedade justa, humana, fraterna, solidária e igualitária.

Aproveite e confira as novidades do novo Portal da AGECON, acesse: www.agecon.org.br entre no mural de recados, deixe seu comentário, sugestão ou crítica. Este espaço de comunicação está a serviço da classe trabalhadora.


Fonte: AGECON
Contatos: agecon@agecon.org.br
Visite: www.agecon.org.br

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REFORMA NA COBERTURA
Salão Paroquial de Santo
Antônio de Lisboa em obras


Madeirame atacado pelas brocas está sendo substituído




Fotos: Celso Martins

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Arquitetura animal

Fotos: Celso Martins

20.2.11

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LUIS ALBERTO WARAT

Fonte da imagem: Blog Recortes Críticos

Por Olsen Jr.

Morreu em Buenos Aires no dia 12 de dezembro de 2010 o escritor, pensador, filósofo e professor Luis Alberto Warat, argentino de nascimento, brasileiro por adoção.

Nunca abandonou o sotaque que lhe emprestava charme e que não o impediu de amar o país (que também o adotou) algumas mulheres, o carnaval, a comida farta e essa liberdade anárquica capaz de transformar todo o comportamento ortodoxo em uma heresia.

Começou lecionando Teoria Geral do Direito, depois criou outras disciplinas, Direito e Ecologia Política, Direito e Psicanálise, Cinesofia e Direito... Estava à frente do seu tempo. Ele internacionalizou o quanto pôde o CPGD – Curso de Pós-Graduação em Direito da UFSC.

As cadeiras optativas que disponibilizava no mestrado eram disputadas porque na condição de Mestre, aglutinava, conseguia coletivizar a sua paixão por tudo em que se envolvesse.

Costumava encontrá-lo na Livraria Catarinense, na Rua Tiradentes ainda, de onde saía invariavelmente sobraçado de livros.

Lembro de um seminário sobre Roland Barthes, os livros “Fragmentos de um Discurso Amoroso” (a peça com Antônio Fagundes estava em cartaz no CIC) e “A Câmara Clara”... De repente todo um grupo de mestrandos estava cultuando o Barthes, mas também a linguística, Saussure, Lacan, Derrida, Bordieu, Castoriadis, Backtin, Foucault, Lefort, sem desurar do bom e velho Kelsen , Freud, e os escritores Umberto Eco, Cortazar, Jorge Amado, Artaud, Roberto Da Matta, Clarice Lispector, Edgar Morin e até Muniz Sodré.

Warat era um mundo em ebulição permanente. Gostava de dar suas aulas, verdadeiras trocas de informações em bares, no velho estilo sartriano. Filmes também, se ajudassem. Lembro do “Blade Runner, O Caçador de Andróides”, após a exibição, o jantar que se seguiu, surpreendo o Mestre lavando um prato, ensaboava lentamente o dito com a mão direita enquanto o cigarro pendia no canto da boca, na foto clássica do Camus, a cinza se avolumando e a agonia nos expectadores, enfim, deixa tudo, pega o pacote de pão próximo, deixa os pães na mesa, e começa a escrever na embalagem a ideia que lhe ocorrera enquanto passava detergente na louça. Coisa de louco. Não ocorreu a ninguém perguntar sobre o texto, sequer sobre a ideia, mas foi registrada.

Não seguiu “escolas”, detestava os padrões, apostava no amor, fazia pouco da carnavalização do direito e lembrava os versos finais do poema “Cântigo Negro”, de José Régio “Não sei para onde vou, não sei para onde vou --- Sei que não vou por aí!”

Com cerca de 40 obras escritas professor Warat foi o mais próximo do gênio que conheci em alguém que se diz humano. A Universidade através do CPGD lhe deve uma despedida digna.

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Carlinhos Cunha navega pela Ponta do Sambaqui. Foto: Celso Martins

Briga de Gaúchos

Por Amílcar Neves*

Criou-se toda uma mitologia em torno da Ilha de Santa Catarina, o que é natural. Afinal, a Ilha, a cidade e arredores são a moda internacional do momento. Praias, shows, bares-clubes-restaurantes-boates atraem pessoas do mundo todo, e agora não mais apenas famílias de classe média remediada que abarrotavam o táxi do dono da casa com comida e água mineral e despencavam de toda a Argentina para acampar no primeiro terreno baldio que encontrassem perto do mar.

Depois, começou a aparecer gente do Rio Grande do Sul, do Paraná, de São Paulo. O rico interior paulista tomou conta do pedaço por uns tempos, foi aparecendo o povo dos Matos Grossos, das Minas Gerais, os ruralistas de Goiás. Uruguaios, paraguaios, chilenos, peruanos e até venezuelanos desfilaram seus carros pelas estradas catarinenses e caminhos ilhéus. Europeus, asiáticos, australianos foram chegando de mansinho, sem levantar bandeiras - apenas chegando e tomando posse de um cantinho para si. Rebeldes e desajustados dos Estados Unidos (rebeldes e desajustados para o seu país, que ainda não tolera maiores diferenças) também se foram estabelecendo.

De repente, o estouro, o que seria inevitável pelas belezas e pelo ineditismo do lugar: revoada incessante de astros e estrelas do cinema mundial, modelos, atletas, artistas, milionários ocupando hotéis, casas e resorts de luxo, cercados por uma nuvem densa de DJs, essa gente que ganha dinheiro com o suor e o trabalho dos outros.

Jurerê verdadeiramente Internacional consolida-se como o ponto de convergência da Ilha neste 2011: grandes bandas e prestigiados cantores e cantoras apresentam-se ali - há anos, a cidade queixava-se que tudo passava por Curitiba e Porto Alegre e, nela, só passava pelo alto, de avião. Hoje, um show internacional com apenas duas apresentações no Brasil terá uma delas em Florianópolis.

Festas, baladas e badalações são tantas e tais por esta Ilha que o Ronaldinho Gaúcho vive por aqui a toda hora, desde quando era jogador na Europa. Não nos incomodamos nada que ele (ou qualquer outro) gaste na Ilha uns poucos milhões que lhe sobram na conta bancária. O que não fica muito legal é um pessoal inconformado porque ele não assinou contrato com o seu time vir para cá hostilizá-lo: isso é briga caseira, para ser resolvida (ou não) na terra dos Gaúchos. Aqui, não temos nada a ver com a roupa suja dos outros.

*Amilcar Neves é escritor com oito livros de ficção publicados, diversos outros ainda inéditos, participação em 32 coletâneas e 44 premiações em concursos literários no Brasil e no exterior. Em breve, Se Te Castigo É Só Porque Eu Te Amo (teatro) chegará às prateleiras das livrarias. Crônica publicada na edição de 12.2.2011 do jornal Diário Catarinense (Florionópolis-SC). Reprodução autorizada pelo autor.

19.2.11

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TAMYRES, 15 anos

Jovem blogueira Tamyres Meyer Machado na Procissão
de Nossa Senhora Aparecida de 2009. Foto: Celso Martins


'...A vida só ganha sentido quando a cada busca se faz um encontro, a cada sonho uma realização e a cada ano, grandes amigos...'. "Para viver as emoções deste dia tão importante, conto com sua presença para a comemoração de meus 15 anos. Tamyres". A recepção aos convidados será hoje (sábado, 19.2), no Salão da Capela São Sebastião (21h) na Barra do Sambaqui.

18.2.11

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Vultos do Tempo

Por Carlos Miguel Torres

No início da semana, como faço todas as segundas-feiras, visito as livrarias do Centro de Florianópolis, para saber das últimas novidades de lançamentos de livros. Até aí, tudo bem, não fosse um caso inusitado que aconteceu comigo. Estava folheando um exemplar do romance “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marques, obra esta que li pela primeira vez em 1975, em espanhol, quando um senhor aproximou-se de mim e disse: “você não é aquele barbudo que distribuía panfletos contra a ditadura militar na década de 1970?” Eu, meio sem jeito, disse que sim, que muitas vezes fazia esse trabalho, como forma de combater o regime militar. Perguntei-lhe então como se lembrou do fato, uma vez que já faz tanto tempo, e ele respondeu-me que o panfleto que mais chamou a sua atenção foi sobre a ditadura Franquista, na Espanha.

Interessante: ele revelou que na época trabalhava numa repartição pública federal, no centro, e que apoiava o governo. Pegava o ônibus todos os dias, e que, a partir da leitura do panfleto, começou a questionar o governo militar, votando no MDB, e com o decorrer do tempo, passou a se interessar pela leitura de obras de escritores de esquerda. Para minha surpresa, disse que acompanhou a nossa campanha para Prefeito do município de São José, em 1988, pela PCB – Partido Comunista Brasileiro. Trocamos mais algumas ideias e o referido senhor se despediu e saiu caminhando lentamente, como se fosse um personagem da história que veio me fazer uma visita de cortesia.

Chamei os arquivos de longa duração da minha memória, e eis que me veio um fato que talvez seja esse que o tal cidadão se referiu: em 1975, em plena ditadura militar, ao lermos a página sobre política internacional do jornal O Estado, que informava o assassinato de cinco estudantes espanhóis, através do sistema medieval do garrote vil, juntamente com o militante comunista, Sérgio Uliano, redigimos uma nota e distribuímos nos pontos de ônibus da Capital.

Lembro-me perfeitamente que as pessoas davam uma olhada na nota e guardavam para ler em casa. Outras, questionavam sobre democracia e ditadura, e, ali mesmo, no ponto de ônibus, fazíamos uma pequena reunião mostrando o significado da palavra ditadura. Para a época que vivíamos, anos de chumbo no Brasil, entregar uma nota de protesto contra o assassinato de militantes que defendiam a derrubada do General Francisco Franco, era considerado coisa de subversivo.

Tentei correr atrás das pegadas daquele senhor, para conhecer melhor a sua trajetória, mas não consegui, ele se misturou aos transeuntes do calçadão da Felipe Schmidt, carregando com ele alguns pontos da nossa história. Nesse momento percebi que está na hora de alguém escrever sobre a época da ditadura militar em Santa Catarina, não só no contexto político, como também sobre as consequências na vida das pessoas. Como a ditadura influenciou no dia-a-dia dos catarinenses e, principalmente, dos florianopolitanos. Acredito sinceramente que há muita história que está perdida na névoa do tempo que precisa ser contada.

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A G E N D A

Baiacu de Alguém
Pré-Carnaval
Avant Première

Dia 26 de fevereiro, 20h30, na sede do bloco, em Santo Antônio de Lisboa. Presença da Banda Carnavalesca do Baiacu, formada pelos seguintes: Fidel Pinero (trumpete), Pedro Pereira (sax tenor), Ney Platt (sax alto), Elói Mello (guitarra), Rafael (violão de sete), Marcelo Frias (bateria), Julio e Jane (vocais), Guima e Denilson (percussão).

Ingressos a R$15,00 (com a camiseta do Baiacu 2011, que podem ser adquiridas na hora, R$5,00).

Agenda da bateria

Segunda e quarta, das 20 às 23 horas (ensaio técnico).

Sexta, das 20 às 23 horas (ensaio normal, seguido de roda de samba).

Tem comes e bebes no local. Entrada é gratuita.

17.2.11

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FRAGMENTOS SOBRE
UMA IDEIA DE DEUS


Ponta do Sambaqui. Foto: Celso Martins

Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


EM MEMÓRIA DO MEU QUERIDO SOBRINHO E AMIGO GIUSEPPE (PEPE) LUCHINI VIEIRA


O poeta catalão Joan Brossa (1919-1998) escreveu:

(...) Há coisas que vistas/são mais simples que explicadas./As bandeiras são da cor do caos,/E a serpente é a senhora dos viventes.”

Ele proclama:”E continuo escrevendo, não tenho tempo a perder.”

Não consigo esquecer o verso: “E a serpente é a senhora dos viventes.”

Em catalão: “I la serp és la matressa dels vivents.”

Falta-me clareza?

Creio que sim.

É que alguém me perguntou qual era a minha ideia de Deus.

(E também me indagaram sobre a genética do Mal.)

O que se passa em nosso momento derradeiro?

Quando chegamos ao final da estrada?

Depois da morte, nada mais pode ser compensado.

Os mortos já não têm problemas.

Os mortos são problema dos vivos.

Qual a genética da dor?

Do caminho sofrido daqueles que nunca encontram a paz?

Daqueles que tentam, tentam, tentam: e não encontram.

Não encontram?

Precisaria falar sobre os limites do livre arbítrio.

Deus seria o oceano do esquecimento “para onde fluem nossas lembranças, nossos sonhos, nossas realizações, as imagens que guardávamos, os odores, os sons, os gostos.”

Deus?

Existe, Não Existe. Essa questão a mim não importa.

Algo internalizado no teu coração não depende da “razão”.

Quando sabemos qual o nosso Eixo, a vaidade, a notoriedade e a riqueza já não têm sentido.

Quem esteve à beira da morte, quem recebeu a unção dos enfermos talvez me entenda.

(E que continuou vivendo...)

Para o oceano do esquecimento escorreria tudo o que já soubemos e perdemos, os nossos princípios morais, a nossa ética, as amizades, os amores, os conhecimentos dos vencidos, religiões que há muito deixaram de consolar, dúvidas jamais esclarecidas.

Deus – crê Rodolfo Konder – “talvez seja mais nossa inexistência, nossa ignorância do que nossos pálidos feitos e nossa enlouquecida aventura.”

Somos tão vulneráveis, tão finitos – e convivemos com a soberba.

E a morte?

Morre alguém que amamos.

Internalizado o nosso luto, o que fazer?

Para os que ficaram?

Pai, mãe, irmãos, tios, amigos, ex-companheiras?

O que foi feito daquele sorriso largo, da voz alta, da hospitalidade, da vontade de preparar um bom churrasco, do sonho de viver num mundo verde, distante das cidades enlouquecidas, onde a prevalecessem a amizade sincera e a lealdade?

O que esta morte fará com tanta vida?

Às vezes parece irreal, que não aconteceu.

Ele certamente queria que continuássemos.

O Pepe está dentro de nós – de cada um de nós.

Creio que ele gostaria que continuássemos lutando pelos seus sonhos

em favor de um mundo justo, fraterno e generoso.

Sábio, Guimarães Rosa nos ensinou: (...) “O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.”

(Salvador, fevereiro de 2011)

16.2.11

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MURAL DE AVISOS

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15.2.11

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Emanuel Medeiros Vieira
em dois textos inéditos



SABER LER

A maior parte das imagens que circulam hoje são frutos de um impulso econômico, para criar produtos e mercados de consumo, não para celebrar o espírito humano ou para aprendermos mais ou sermos melhores.

É pura e simplesmente para fazer mais dinheiro.

Então, neste sistema, se você lê profundamente uma imagem publicitária, você a destrói, como diz Alberto Manguel.

A publicidade – é claro que não digno nada de novo – é feita para “convencer”, manipular as emoções mais primárias e, muitas vezes, para enganar.

E para tapear um povo prostrado e sem cultura não é difícil.

Vejam as tantas igrejas (o super-mercado universal da fé), os tantos políticos, os tantos bingos camuflados, os tantos sindicalistas, os tantos banqueiros, os tantos usineiros, os tantos grileiros, os tantos marqueteiros: todos impunes. Enfim, é o reino da trambicagem.

Então – seguindo as pegadas do autor citado – é fundamental que possamos novamente recuperar a dignidade humana de ler imagens para buscar as verdadeiras, para voltarmos a ser criaturas da memória.

Precisamos “saber ler”.

Sabendo ler, aprendemos com as gerações passadas e com a nossa própria.

O que quero dizer?

Uma mulher não é solitária porque não usa o sabonete tal, o perfume daquela marca. Não vai ser “amada”’ se usar aquele jeans.

O sorriso da “felicidade plena” (que você obterá se conseguir tal produto) é pura enganação. Todos os carros são maravilhosos, cada banco é melhor do que o outro.

Quando vemos as propagandas de mil cervejas, com mulheres gostosonas, malhadas e sorridentes, a mensagem é essa: se bebermos tais produtos, viveremos naquele clima de festa eterna. E tudo isso vai entrando no inconsciente. É subliminar, é lavagem cerebral.

Na segunda-feira temos o resultado no noticiário: carros que viraram ferro retorcido dirigidos por motoristas bêbados.

Não, não é moralismo: é defesa da vida.

E atores famosos, que já tem muito dinheiro, fazem as tais propagandas de bebida alcoólica.

Exagero? Não creio.

Acho, no mínimo, anti-ético. É pura cobiça.

Quem faz propaganda de remédio, deveria ingerir antes o produto e só depois fazer a publicidade.

A Xuxa, Luciano Hulk e tantos outros que ganham muito dinheiro fazendo publicidade, usam aqueles serviços dos quais dizem mil maravilhas?


A partir deste aprendizado, poderemos enfrentar as imagens da Coca-Cola e de todas as marcas.

Lendo “Madame Bovary”, de Flaubert, você percebe que a infelicidade da mulher não deriva do fato dela não usar o perfume tal.

As razões são outras, muito mais profundas.

O problema é que estamos vivendo um momento de enorme velocidade e de pouca concentração. (Emanuel Medeiros Vieira)


INSPIRAÇÃO E
TRANSPIRAÇÃO


Me perguntaram numa escola em Brasília: “Como se faz um bom livro?”

Eu sorri, sala cheia, jovens de 20 anos.

Sabia de cor a resposta de Somerset Maugham: “Há três regras para se escrever um bom livro. Infelizmente, ninguém sabe quais são.”

Porque escrever não tem receita. Tem inspiração sim. Mas tem muito trabalho. “Transpiração”, disciplina. Há que começar a faina diária mal rompe a aurora.

Todos os dias, todos.

E ler, muito. Reler. Ler mais. Sempre. Até o último suspiro.

Se pararmos de ler, vamos morrer.

O aprendizado da escrita é misterioso.

“O processo de aprender a escrever é desanimador porque é inexplicável”, afirma Alberto Manguel.

Ele complementa: “A leitura é uma atividade pela qual os governos sempre manifestaram um limitado entusiasmo”

É claro. A leitura abre os espíritos.

A literatura “revela”.

A verdade liberta. Com ela no seu coração, você não votaria mais por ter recebido uma esmola, um saco de cimento ou algumas telhas.

Ler sempre incomoda os ditadores, os napoleões tupiniquins, desagrada os poderosos, os idiotas e medíocres de plantão.

E, no geral, eles estão nos órgãos ditos culturais, com o seu vasto número de funcionários entediados, seus burocratas mesquinhos e seus lanches vespertinos, suas panelinhas burlescas, que querem camuflar o seu enorme vazio com roupas chics ou retóricas e preciosismos. Não enganam. Não adianta. São figuras que merecem a piedade. Serão varridos por qualquer vento sul.

Podem receber prebendas, se acham “sérios”, às vezes assinam colunas diárias.

Mas serão sempre figuras menores: aquelas que morrerão sem a solidariedade de si mesmas.

Manguel lembra que Pinochet proibiu “Dom Quixote”, de Cervantes.

Lógico, o leitor lendo Quixote descobriria a alma nazista do facínora sanguinário que foi o ditador chileno, uma besta do Apocalipse sul-americano.

Penso no que disse um republicano espanhol (pai de um escritor) que passou muitos anos numa prisão política:

“Até na cadeia vocês serão mais felizes se gostarem de ler.” (Emanuel Medeiros Vieira)