18.7.09

Caminho do Peabiru em
Santo Antônio de Lisboa


O último livro da jornalista Rosana Bond sobre o Caminho do Peabiru será lançado nesse sábado (18.7), das 13 às 17 horas, em Santo Antônio de Lisboa.

Local: Óptica Brasil (rua Cônego Serpa, 101).
Fone: (48) 3232 2250.


No lançamento em Sambaqui (foto, dia 26.6) Rosana recebeu dois poemas de Mário Osny Rosa, 75 anos, poeta e advogado. Ele veio de São José para entregar em mãos dois poemas escritos para aquela ocasião, reproduzidos a seguir. Um pouco da obra do sr Mário pode ser conferido em dois sites na internet - Poetas Advogados e Mário.Poetas Advogados.

Imagem do livro de Rosana Bond.


Poemas de Mário Osny Rosa


*
Cidadania - A participação do povo na política é o tema da palestra que o médico e vereador Ricardo Camargo Vieira (PC do B) profere hoje à noite (sábado, 18.7), na Barra do Sambaqui. Será às 20 horas, na Igreja Evangélica Assembléia de Deus (rodovia Isid Dutra, 1.220), ao lado da escola Marcolino José de Lima.

17.7.09

ICMBio embarga obra
da ETE do Rio Tavares

CEF deve suspender recursos

Local onde a Casan iniciou as obras da ETE.
Banhado de oito hectares está ameaçado.


O Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade (ICMBio) embargou as obras da estação de tratamento de esgotos que a Casan executa no Rio Tavares e aplicou multa em R$ 50 mil. Os serviços não têm licenças ambientais, os projetos são de 1995 e ultrapassados, não tendo sido solicitada a anuência do órgão, tendo em vista a proximidade da Reserva Extrativista do Pirajubaé.

As instalações da Casan ficam a cerca de um quilômetro da unidade de conservação criada em 1992, na época a primeira reserva extrativista fora da Amazônia (Decreto nº 553 de 20.5), destinada a proteção do berbigão (anomalocardia brasiliana) no baixio da Tipitinga, em frente ao manguezal do rio Tavares. É no rio Tavares que a Casan pretende lançar os dejetos tratados apenas biológicamente com tecnologia obsoleta.

Vista do manguezal do rio Tavares/Resex do Pirajubaé.

Quando a Casan começou a obra contava com uma licença da Fatma. Alertada pelo ICMBio, o órgão suspendeu a licença. A Casan entrou na Justiça e obteve liminar para continuar os serviços que foram embargados pelo ICMBio com respaldo da PGR-SC.


Torneira fechada

A procuradora federal Analúcia Hartmann encaminhou expediente à superintendência da Caixa Ecômica Federal no Estado, no último dia 10, com cópia do Inquérito Civil Público (ICP) nº 063/08 e requisitando "providências para a suspensão de desembolso de recursos para o referido empreendimento e encaminhamento de cópias da documentação sobre o financiamento contratado".

Segundo a procuradora, o ICP versa sobre o Sistema de Tratamento de Esgotos do Campeche (Rio Tavares), destacando que "o empreendimento não possui licença ambiental válida, haja vista a inexistência de anuência do ICMBio/Resex do Pirajubaé – afronta à Lei 9.985 e à Resolução Conama 13/90 -, razão pela qual as obras irregulares foram autuadas e embargadas na corrente semana por aquele Instituto".
DEU CERTO, MAS
ESTÁ TUDO ERRADO


Por Olsen Jr.
olsenjr@matrix.com.br

Todo mundo conhece aquela história do Monteiro Lobato “O Reformador do Mundo” em que um sujeito via defeito em tudo na natureza. Um dia, ao observar um pé de abóbora, acreditou ter a confirmação de sua teoria, ”vejam aqui, dizia, uma plantinha frágil como essa e olha só os frutos, enormes... Já aquele coqueiro, uma árvore poderosa e olha as frutinhas que ela gera, não digo mesmo, está tudo errado no mundo”.

Depois, como estava cansado, aproveitou para se deitar embaixo da sombra do coqueiro. Lá pelas tantas, acordou com um coquinho que tinha caído em cima de sua cabeça e logo veio a sua mente as abóboras, se fosse como ele tinha imaginado, provavelmente naquele momento, com um daqueles frutos em cima da cabeça, uma queda de dez metros, estaria morto, e claro, não poderia reclamar mais, e pensando bem, “nem tudo estava desconcertado no mundo”.

Quando se é guri, esse é um hábito pertinente. Seria estranho se tal não acontecesse. Leva-se muito tempo para descobrir, como me alertou o Sérgio Zanin, um colega de internato, ele quando me via muito inquieto dizia “não esqueça de que o direito do anzol é ser torto”. Lembro disso todas as vezes que me vem esse espírito insurgente pretendendo arregaçar as mangas e sair por aí “querendo mudar tudo”.

O crítico H. L. Mencken afirmava: “Toda pessoa normal se sente tentada, de vez em quando, a cuspir nas mãos, içar a bandeira negra e sair por aí cortando gargantas”.

De repente, o cidadão comum começa a constatar que só a “patifaria” é premiada. Aquela senhora que no auge do desespero se apropriou de um pote de margarina (menos de dois reais) na mercearia, é trancafiada imediatamente, sem maiores análises de circunstâncias, causa e efeito, dano e conseqüência... O outro, empresário posudo, depois de muitos anos edulcorando a armadilha, acaba lesando um número grande de pessoas, contrata meia dúzia de advogados e passa a desafiar a lei em liberdade e com certo prestígio confirmando a tese de quando se pode pagar “alguns espertalhões formados em direito” a “boa causa” pode ser levada adiante.

Aí o sujeito tem vontade de gritar, de xingar, de se valer até de uma linguagem pouco apropriada para pessoas que convivem em sociedade porque, como lembrou o escritor Mark Twain “Em certas circunstâncias, um palavrão provoca um alívio inatingível até pela oração”.

Então, foi com este espírito que nasceu o blog tijoladasdomosquito, leia-se Amilton Alexandre, e que depois se transformou num site e que é acessado por 160 mil leitores, possui mais de um milhão de páginas visitadas, mais de 2.100 comentários e, em média, 650 visitas diárias (40% de leitores da grande Florianópolis) também é lido em 37 países em mais de 500 cidades, do Brasil e do exterior. Começou como uma brincadeira em setembro de 2008 e já acumula 18 processos por “atentado a honra”. No fundo, diz o “Mosquito” (apelido carinhoso que ganhou no tempo de universidade) “só querem calar a minha boca”. Mas como afirma o advogado criminalista Edison da Silva Jardim Filho, do “Tijoladas”, “só pode alegar defesa da honra quem tem honra para defender”, o que não é o caso da maioria dos denunciados, pessoas, fatos e feitos.

Com uma dedicação de cerca de dez horas diárias, trabalho feito unicamente por ele, sem apoio de ONGs, partidos políticos, seitas ou igrejas, se mantém com a vendas de camisetas que promovem o site e de modestos aportes em forma de publicidade, feitos por amigos.

Todas as denúncias são apontadas ali sem meias palavras, aliás, são palavras inteiras, na verdade, palavrões e isso nada têm a ver com uma palavra grande a semelhança de “inconstitucionalissimamente”, por exemplo, até ontem a maior palavra do idioma português. Só vendo mesmo, e claro, contextualizando sempre para que se possa aquilatar o sentido de cada uma mais próximo da realidade que cada uma delas nomeia.

Aqui a “etiqueta social” e os bons costumes foram eliminados em favor da vida como ela é, sem eufemismos e nem metáforas prestigiando a objetividade e clarividência; sem misticismos também, ah! Quase esqueço, o “politicamente correto” foi escanteado por tratar-se de uma contradição em termos, uma vez que o que mais se denuncia é a incorreção dos políticos, o que você mesmo pode constatar lendo o “tijoladas do mosquito”, como sugere o nome, um lugar onde até os afagos são pesados e se funciona, não conserte, é o lema!



16.7.09

1ª FARINHADA JUNINA
DO CLUBE SANTA CRUZ
Outras imagens















15.7.09

Conselho de Cultura de Florianópolis
Intelectuais questionam
emenda de vereadores


Carta ao Prfefeito, à Câmara Municipal e à cidade sobre o Conselho Municipal de Cultura.

"Os signatários deste documento, trabalhadores e militantes da cultura, a propósito da atual discussão sobre o Conselho Municipal de Cultura, resolvem pela presente manifestação ao Prefeito Dário Berger, à Câmara Municipal, ao mundo da cultura e a toda a cidade:

1. A apresentação da emenda nº. 01/09 ao Projeto de Lei nº. 13.063/2008, que altera a Lei nº. 2639/87, que criou o Conselho Municipal de Cultura, emenda esta proposta pelo líder do governo na Câmara, Vereador Norberto Stroisch, e subscrita pelos vereadores João da Bega da Silveira - PMDB, Celso Sandrini – PMDB, César Faria – DEM, Erádio Gonçalves – DEM e Edinon “Dinho” Rosa – PSB, é incoerente, inconseqüente e inconsistente, além de prejudicar a construção de políticas públicas para a cultura em Florianópolis.

2. A inconseqüência da emenda, em sendo ela proposta pelo líder do governo, radica no fato de que a mesma colide com as intenções declaradas do Executivo, por declarações do próprio Prefeito e ainda do Superintendente da Fundação Franklin Cascaes, Prof. Rodolfo Joaquim Pinto da Luz, de se estabelecer rapidamente um Sistema Municipal de Cultura, em consonância com o modelo proposto pelo Ministério da Cultura, implicando nisto a constituição do Conselho, já instituído desde 1987, e a criação de um fundo para fomentar as atividades culturais. E colide com tais intenções justamente por retardar a aprovação e a implantação do referido Sistema.

3. Inconsistência da emenda reside no fato de que ela é justificada como resposta à necessidade de compatibilização da legislação municipal ao Sistema Nacional de Cultura, quando esta compatibilização não é obrigatória, porque as normas constitucionais e o pacto federativo nelas fundado não a impõem, e porque não há nenhum outro imperativo legal que a imponham. E ainda porque, simplesmente não existe nenhuma incompatibilidade entre o projeto e o Sistema, conforme equivocadamente alegado.

4. Já a incoerência da mudança está no fato de que, ao propor a supressão da personalidade deliberativa do Conselho, ela vai, claramente, na contramão da política nacional de cultura e contraria as diretrizes maiores do Sistema Nacional de Cultura, conforme o Ministério busca construir. Assim, aquilo que é apresentado como uma adequação apresenta-se de fato como inadequação.

5. O principal resultado efetivo da emenda citada, feita quando o Projeto de Lei já se encontrava na Ordem do Dia, pronto para as votações regimentais e para a aprovação definitiva em plenário, é a procrastinação da reforma da Lei e o conseqüente adiamento, uma vez mais, da constituição do Conselho. É a postergação, pois, da definição de políticas culturais para a Cidade, até mesmo porque, pela experiência, se deve prever o arrastamento indefinido da tramitação do Projeto. Tal resultado corresponde assim aos interesses que, por 21 (vinte e um) anos após a criação legal do Conselho, não o deixou ser efetivamente constituído.

6. Em vista da situação, e em favor dos propósitos já citados, por um lado manifestos pelo mundo da cultura e por outro declarados pelo governo, recomendamos às autoridades o encaminhamento do projeto à deliberação da Conferência Municipal de Cultura, prevista para 25 e 26 de setembro próximos, para a sua formatação definitiva, visto que o atual texto foi construído num processo que envolveu mais de 200 pessoas, em duas audiências públicas da Câmara e em oito outras reuniões derivadas da primeira audiência, de tal modo que apenas um fórum mais amplo, como uma conferência, teria a necessária legitimidade para fazer mudanças no projeto e, em seguida, a promoção de uma rápida tramitação do projeto no Legislativo, em tempo de podermos ter o Conselho Municipal de Cultura finalmente constituído ainda neste ano.

Florianópolis, 14 de julho de 2009.

Assinam o presente documento:
André Berté, Andréia Rihl, Carlos Kostin, César Floriano, Cristina Dreyer, Edson Fermiano, Francisco de Oliveira (Frank), Gerônimo Wanderley Machado, João Arthur F. da Silva, João Carlos Silveira de Souza, João Luiz Oliveira (Gão), Joseph Syghor, Murilo Silva, Pepe Pereira dos Santos, Révero Ribeiro, Ricardo Canez, Sheila Sabag, Telma de Oliveira Pitta, Telmo Melo, W. Anthony Alano e Zébio Corrêa".

A Carta será entregue ao prefeito e vereadores no próximo dia 22.7, terça-feira. As adesões podem ser feitas pelos seguintes telefones: 9118 5537 (João Carlos), 9126 3222 (Zébio), 9962 0671 (Murilo) ou 9971 4884 (Gerônimo).

Ilustração: Gallo Sépia
Cultura como estratégia


Por Amílcar Neves*


Finalmente nossos políticos, do Executivo e do Legislativo, começaram a perceber a importância estratégica das atividades e manifestações culturais. Nossos políticos: os federais, os estaduais e os municipais, dos maiores aos menos abastados municípios brasileiros.

Foram surgindo por todos os lados, em todos os cantos, as leis de incentivo à Cultura. No início ninguém sabia direito como a coisa funcionava, ou deveria funcionar, mas as leis iam sendo copiadas dali e coladas aqui, numa reprodução legiferante em ritmo geométrico, em escala geográfica extensiva. Surgindo as leis e as fundações culturais, os conselhos de cultura, as secretarias de cultura (surgindo as leis e os cargos de confiança a preencher, posto que, por uma sina qualquer, órgãos públicos ligados à Cultura nunca têm quadros de servidores estáveis e próprios, o pessoal todo é lotado por empréstimo ou por indicação).

Como se fazia Cultura antes de existir todo esse aparelhamento técnico e jurídico? Por favor. O chefe de momento distribuía favores à sua exclusiva discrição, contemplando afilhados, amigos e correligionários, pagando votos e dívidas de campanha. Coisa pouca, sempre: o dinheiro para impressão do livro, a ajuda para coquetel e convites da exposição, a liberação do teatro público para encenação da peça, coisas simples assim. Não havia critério para nada, menos ainda um processo democrático de apoio à Cultura.

A situação aos poucos se tornou insustentável e medidas firmes precisaram ser tomadas. Foram surgindo, então, as leis, as fundações, os conselhos e as secretarias. E os projetos e editais. A atividade se profissionalizou. Os políticos também.

A consequência lógica dessa evolução é óbvia: nossos políticos não demoraram a vislumbrar a importância estratégica da Cultura. Assim, a cada cinco reais destinados a editais e concursos, o gabinete imperial reserva 15 reais a “projetos especiais”, do interesse do rei. Isto lhe angaria súditos fiéis, agradecidos e submissos. E, agora, não se trata de custear apenas a impressão do livro, mas tudo o que a imaginação criadora puder agregar ao livro, tudo que possa inflar valores ao máximo.

Nossos políticos - Sarney, hoje, é o exemplo maior, o modelo supremo - descobriram a importância da Cultura como estratégia de ralo, por onde fazem escoar rios de dinheiro público para os seus bolsos privados.


*Amilcar Neves, escritor.
Crônica publicada na edição de hoje (15.7.2009)
do jornal Diário Catarinense.
Reprodução autorizada pelo autor.
Ilustração: Gallo Sépia.

14.7.09

Projeto Cidade Contada
revive as Festas do Divino

Festa do Divino no Centro de Florianópolis.
Foto: Acervo Fundação Franklin Cascaes.


Por Dieve Oehme

Com a leitura pública do texto “A romaria da Trindade”, do poeta simbolista Cruz e Sousa, escrito em 1887, e do artigo “É tempo da divina Festa do Divino”, assinado pela professora Lélia Pereira Nunes, o projeto Cidade Contada promoverá um diálogo sobre a importância dos festejos regionais na memória afetiva do município. A promoção, que tem apoio do Ministério da Cultura (Minc), será realizada nesta terça-feira (14/07), às 19h, na Casa da Memória, dentro das comemorações do aniversário da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes (FCFFC).

O projeto Cidade Contada tem como objetivo fazer com que a memória urbana e cultural da cidade seja revisitada e debatida. Além da reflexão sobre as paisagens do município, costumes e memória da cultura local, o projeto visa promover a aproximação entre o público e o autor convidado.

Junto com a leitura dos contos são também realizadas projeções de material audiovisual (fotos, músicas ou documentos históricos do acervo da Casa da Memória) referentes ao tema enfocado pelos textos. O evento acontece uma vez por mês, numa promoção da Casa da Memória / FCFFC.



Sobre Lélia Pereira da Silva Nunes

Nascida em Tubarão, Lélia Nunes é socióloga, com mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Além de pesquisadora da cultura popular catarinense, é presidente da Fundação Cultural Aníbal Nunes Pires, diretora de Relações Internacionais da Casa dos Açores Ilha de Santa Catarina, conselheira titular da Comissão Nacional de Folclore e integrante do Conselho Estadual de Cultura.

Lélia Pereira da Silva Nunes foi superintendente da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e atualmente é diretora do Conselho Científico do Portal das Comunidades Açorianas do Governo Regional dos Açores. Tem diversos artigos e livros publicados, e assina o Blog Comunidades no site RTP-Açores, Rádio e Televisão Portugal-Açores.

Sobre a Festa do Divino Espírito Santo

Festa do Divino em Tubarão-SC. Foto: Acervo Lélia Nunes.

Comemorada durante as Festividades de Pentecostes (50 dias após a Páscoa), a Festa do Divino Espírito Santo é uma manifestação popular que une a espiritualidade e o folclore, para agradecer ao Espírito Santo os dons e graças recebidas durante o ano anterior. Em Santa Catarina, a festa acontece em mais de 50 municípios que tiveram a influência açoriana. Com seus símbolos e rituais, a festa apresenta um conjunto de eventos que se articulam entre si, envolvendo cerimônias religiosas e ritos sacro-profanos.

O evento, realizado desde o século 18, varia conforme a tradição de cada comunidade, mas em geral abrange novenas, tríduos, missa solene com coroação, Te-Deum e bênção; procissão do séquito imperial e folguedos populares; apresentação de bandas, shows musicais, bailes, barraquinhas, bingos, leilões e foguetório; périplo da Bandeira do Divino – no período que antecede a festa e sua presença emblemática em todas as cerimônias.

Festa do Divino no Pântano do Sul (Florianópolis).
Foto: Acervo Fundação Franklin Cascaes.



Serviço

O Quê: Projeto Cidade Contada – Literatura e Espaço Urbano
Tema: Festas do Divino

Quando: terça-feira (14/07) – 19h

Onde: Casa da Memória / FCFFC
Rua Padre Miguelinho nº 58 – Centro
(48) 3333-1322

Quanto: gratuito

13.7.09

Conselheiros de Cultura vão
ser vaquinhas de presépio

Membro do futuro Conselho de Cultura de Florianópolis.

Ao apostilar a proposição de emenda tornando o porvir do Conselho Municipal de Cultura de Florianópolis mero artefato decorativo, sem faculdade decisória, o vereador Norberto Stroich Filho (PMDB) alinhavou argumentos que ajudam a apreender por que certas coisas acontecem na cidade. Caso o projeto original de autoria da ex-vereadora Angela Albino fosse consagrado, segundo ele, o Conselho se sobreporia ao Executivo municipal e a Fundação Franklin Cascaes. Foi o que Stroich argumentou ao DC, resumindo:

– Não é possível que o Conselho aprove a concessão de auxílios financeiros a instituições. Ele deverá ser deliberativo no sentido de aprovar projetos culturais, mas não de definir distribuição de recursos.

Desse modo, temos um Executivo que, no perceber de Stroich, deve mandar, desmandar, perpetrar e desfazer sem dar satisfação a quem quer que seja. É plenipotenciário, único, dono absoluto da administração municipal, onipresente até, detentor da verdade absoluta, único capaz de distinguir o "certo" do "errado". São posturas assim que alimentam autocracias e ditaduras lideradas por déspotas, mesmo os esclarecidos.

Qual figurinha de presépio, o futuro conselheiro vai aprovar os projetos, mas os recursos serão disseminados pelo Executivo, caso tenha simpatia pelo tema/autor indicado. Ou seja, não é a representação social do futuro Conselho que vai definir o que tem qualidade, resulta de esforço criativo e está revestido de originalidade. Não! Isso cabe ao Executivo, onde estão os iluminados, os guiados por Deus, quem sabe, e quiçá, algumas sumidades intelectuais. É esse, na prática, o tirocínio que o nobre edil está sustentando.

É possível que seus colegas que subscreveram essa emenda castratória da autonomia do Conselho, não possuam noção do que estão fazendo. Talvez não tenham usado a massa no interior de seus crânios o suficiente, avaliado a extensão da bobagem que estão fazendo. Até prova em contrário, Edinon Manoel da Rosa, o Dinho (PSB), Erádio Manoel Gonçalves (DEM), João Itamar da Silveira, o João da Bega (PMDB), César Belloni Faria (DEM) e Celso Sandrini (PMDB) estão apenas se comportando como base governista, seguindo obedientes as ordens do chefe, como vemos no Senado. Não acredito que tenham feito o que fizeram de sã consciência, depois de muito refletir, auscultar, ponderar prós e contras.

Stroich sim, esse sabe muito bem o que está fazendo, e seu raciocínio é cristalino e coerente, segundo seu ponto de vista, sua visão de mundo. Neo-peemedebista, como tantos outros nesses últimos anos, parece não ter sequer lido o Programa de seu partido. Assim como os demais não o fizeram. Tivessem tido o trabalho de consultar o documento, certamente teriam ponderado duas vezes antes de cometer as imprudências temerárias.

Vejamos o que diz o Programa do PMDB que, acredito, não seja apenas para enfeite ou visando cumprir as formalidades legais da constituição partidária. No item 2.7 (Democracia e Cultura), está escrito: “O PMDB tem confiança irrestrita na capacidade de criar e resistir do nosso povo e vê nas manifestações de cultura popular a certeza de um futuro autônomo da civilização brasileira”. Assim sendo, “a tarefa principal do PMDB é, através de um debate permanente, contribuir para a elaboração da cultura política, trazer à luz os valores, interesses e aspirações sociais, acrescentar racionalidade e capacidade de construir alternativas em resposta às grandes questões".

Lembrar o Programa partidário nesse momento talvez nem seja apropriado, tendo em vista o ítem 13 dos Princípios Básicos, que reza: “o PMDB continuará movendo implacável combate à corrupção e sonegação. Denunciará às autoridades competentes cada caso que lhe chegar ao conhecimento, para apuração da responsabilidade dos envolvidos. Apoiará também as iniciativas da comunidade em resguardo do erário e do interesse público”.

Os integrantes do DEM, antigo PFL, também não se deram ao trabalho de consultar o “Ideário dos Democratas”, ou saberiam que “o compromisso maior do Partido é com a liberdade, sob todas as suas formas. Combateremos, portanto, qualquer manifestação de autoritarismo ou restrição da liberdade”. E que seus integrantes também devem questionar "a centralização, doença crônica de nosso organismo político-administrativo".

Para os Democratas é preciso "libertar as imensas energias criadoras do homem brasileiro, historicamente sufocadas pelo centralismo e pelo estatismo". À par da descentralização, "a grande revolução a realiza-se neste País é a da liberdade da iniciativa em todos os planos - no político, no social e no econômico. É premente e necessário estimular, por todos os modos, a participação comunitária, abrindo-se oportunidade à fecunda manifestação de nossas diversidades".

Esses vereadores se comportam como se precisassem do povo apenas para votos e aplausos, mas sabemos que isso não é verdade. Precisamos acreditar que eles têm capacidade de reflexão e raciocínio, sensibilidade aos reclamos sociais e espírito liberto, capaz de fazer uma autocrítica e verificar que estão perto de pisar na bola. Como são parlamentares e não atletas, certamente vão ficar longe da pelota.

12.7.09

Crônica do Olsen
Cenas de um entardecer
na Ponta do Sambaqui



Olá, camaradas, salve!

A música "Everybody's Talking'", de Fred Neil é de 1966 mas celebrizou-se na voz de Harry Nilsson como trilha do filme "Midnight Cowboy", em 1969...
Fred Neil fez também "Candy Man" que foi gravada pelo Roy Orbinson entre outros...
Se esperava que um diz explodisse, mas não aconteceu, hoje pouco se fala dele, velho Fred...
Já a versão de Harry Nilsson é imbatível, mais ou menos como Joe Cocker fez com "With a Little Help from my Friends", dos Beatles... Difícil de alguém fazer melhor...
Vai a de hoje, com o carinho de sempre...
O abraço do viking!

O HOMEM E SEU DUPLO

Por Olsen Jr.
olsenjr@matrix.com.br

O que vou escrever não tem nada a ver com a obra “O Homem e o Seu Duplo”, de Alexandre Figueiredo, tampouco com “O Homem Duplo” (que originou o filme “A Scanner Darky”) de Philip K. Dick (o mesmo autor de Blade Runner) e menos ainda com “O Homem Invisível”, de H. G. Wells.

O assunto aqui é mais leve.

É vox populi que todo o homem tem em algum lugar um sósia. Em outras palavras, alguém que é a sua imagem e semelhança, pelo menos no estereótipo.

Mas também não é isso do que pretendo tratar.

Só abrindo um parênteses, o escritor Christopher Lash (conhecido pela obra “A Cultura do Narcisismo”) escreveu uma espécie de continuação dela em outro livro “O Mínimo Eu” em que fala do narcisismo passivo e que o Paulo Francis emendava, referindo-se ao autor “acha que o mundo de hoje é dominado de tal forma por um complexo de burocracias todo poderosas que é difícil a alguém ganhar a individualidade”, mais “a vida é um constante comercial de TV ao qual o espectador tenta se segurar e tenta seguir, mas não consegue”, concluindo “ teme a idade e a morte de maneira infantil, nunca sai da infância”.

Começo por aí, pela infância. Quando éramos crianças, nós inventávamos um mundo de mentirinha e nos refugiávamos nele. A partir daí as brincadeiras faziam um sentido especial o que as tornavam necessárias. Nós não estávamos muito conscientes da duplicidade dos mundos, o que era “real” de onde provínhamos e do outro “imaginado” que acabávamos de criar. Os dois mundos até poderiam se confundir, embora sempre preferíssemos aquele outro o do faz de conta e sobre o qual tínhamos o domínio absoluto, inventando personagens e situações que parodiavam a vida adulta (ou não), mas nesse caso era apenas uma representação que poderia ser abandonada quando estivéssemos cansados dela.

O importante era ter uma ingerência na fantasia que criávamos diferente do mundo “real” onde aquelas aventuras oníricas não tinham guarida.

Nessa vida, dita adulta, o escritor que habita em mim está fazendo esse papel, o mesmo daquela criança que ontem fui e que ainda não me abandonou (porque sempre a tratei bem e nunca a deixei sozinha o suficiente a ponto de ela me ignorar como companheiro de viagem) o que permite a criação de um mundo paralelo aonde vou quando escrevo.

Ao contrário dessa criança, tenho consciência da fronteira entre ambos os mundos (um que eu suporto e o outro que criei) e o curioso agora é que nunca preciso cruzar a ponte de maneira clandestina, sei que consegui cobrir o trajeto quando essa solidão que me condena de um lado me absolve do outro, então escrevo, sozinho, mas livremente.

Agora, recebo um telefonema de uma amiga que está lendo os meus livros, e ela afirma: “não é justo... Assim não é justo”, repete e explica: “fico aqui lendo... Estou me apaixonando”...

Interrompo aquele monólogo e digo que ela pode se apaixonar pelo escritor, que está inteiro nas mãos dela, nas obras que lê, mas o homem por trás do autor é demasiadamente comum, não vale a pena alimentar um interesse por uma natureza humana que pode ser encontrada em cada esquina. Ela não se conforma, mas é a realidade, o escritor foi o sujeito que inventei para melhor suportar o homem comum que eu sou.

Para as pessoas que se crêem normais é muito estranho fazer essa discriminação entre a criança, o homem e o escritor e constatei isso enquanto limpava uma coleção de soldadinhos de chumbo reproduzindo os templários e as cruzadas e comecei a perceber o fragor da luta entre sarracenos e cristãos e, palavra de escoteiro, naquela hora, juro, senti o zunido de flechas e as batidas secas de cimitarras nos escudos que tinham uma cruz pintada em vermelho, diante das muralhas castigadas por catapultas, enquanto uma lança me espetava e tombei ferido de morte antes de afirmar que aquelas distinções não faziam sentido e aquela carnificina era inútil!


Ponta do Sambaqui (Sambaqui)
12 de julho de 2009, domingo



















Bingo beneficente
rendeu
quase R$ 5 mil

Recurso será usado na aquisição de duas pernas
mecânicas para dona Mocinha, 66 anos (foto).


O Centro Comunitário de Sambaqui ficou pequeno para a grande quantidade de pessoas dispostas a ajudar a senhora Aurea Boaventura da Silva ( dona Mocinha) a adquirir duas pernas mecânicas. Mesmo com a chuva, o frio e o vento, centenas de moradores de Sambaqui e Barra do Sambaqui lotaram as dependências da entidade para o bingo beneficente. Segundo um dos organizadores, Dejair de Lima, foi levantada a quantia de R$ 5.740,00 com a venda das cartelas, bebidas, alimentos, rifa e livro ouro. Descontadas as despesas com a organização do bingo, no valor de R$ 859,00, restaram, líquidos, R$ 4.881,00.

A quantia é insuficiente para a aquisição das duas pernas, cada uma com valor aproximado de R$ 7 mil, preço que pode ser reduzido. "Fizemos contato com a fábrica que produz esses equipamentos e existe a possibilidade de uma diminuição do preço final", salienta Dejair. Essa semana ele, dona Mocinha e outras lideranças locais, vão até a indústria localizada em São José para uma nova conversação.

A iniciativa foi organizada pelas diretorias do Centro Comunitário de Sambaqui e Conselho Comunitário de Sambaqui, com a participação de quase duas dezenas de voluntários. A idéia agora é procurar a produção do Programa Cesar Souza, visando ampliar a área de abrangência da campanha em favor de dona Mocinha. Com 66 anos de idade, ela acompanhou o bingo de ontem e deve ter se emocionado com a grande solidariedade.

Os interessados em ajudar podem fazer contato com Manoel/Déca (48 84016314) ou Dejair (48 8401661).


Dejair de Lima e Reinaldo Píres.