16.2.11

.

MURAL DE AVISOS

*
*

15.2.11

.

Emanuel Medeiros Vieira
em dois textos inéditos



SABER LER

A maior parte das imagens que circulam hoje são frutos de um impulso econômico, para criar produtos e mercados de consumo, não para celebrar o espírito humano ou para aprendermos mais ou sermos melhores.

É pura e simplesmente para fazer mais dinheiro.

Então, neste sistema, se você lê profundamente uma imagem publicitária, você a destrói, como diz Alberto Manguel.

A publicidade – é claro que não digno nada de novo – é feita para “convencer”, manipular as emoções mais primárias e, muitas vezes, para enganar.

E para tapear um povo prostrado e sem cultura não é difícil.

Vejam as tantas igrejas (o super-mercado universal da fé), os tantos políticos, os tantos bingos camuflados, os tantos sindicalistas, os tantos banqueiros, os tantos usineiros, os tantos grileiros, os tantos marqueteiros: todos impunes. Enfim, é o reino da trambicagem.

Então – seguindo as pegadas do autor citado – é fundamental que possamos novamente recuperar a dignidade humana de ler imagens para buscar as verdadeiras, para voltarmos a ser criaturas da memória.

Precisamos “saber ler”.

Sabendo ler, aprendemos com as gerações passadas e com a nossa própria.

O que quero dizer?

Uma mulher não é solitária porque não usa o sabonete tal, o perfume daquela marca. Não vai ser “amada”’ se usar aquele jeans.

O sorriso da “felicidade plena” (que você obterá se conseguir tal produto) é pura enganação. Todos os carros são maravilhosos, cada banco é melhor do que o outro.

Quando vemos as propagandas de mil cervejas, com mulheres gostosonas, malhadas e sorridentes, a mensagem é essa: se bebermos tais produtos, viveremos naquele clima de festa eterna. E tudo isso vai entrando no inconsciente. É subliminar, é lavagem cerebral.

Na segunda-feira temos o resultado no noticiário: carros que viraram ferro retorcido dirigidos por motoristas bêbados.

Não, não é moralismo: é defesa da vida.

E atores famosos, que já tem muito dinheiro, fazem as tais propagandas de bebida alcoólica.

Exagero? Não creio.

Acho, no mínimo, anti-ético. É pura cobiça.

Quem faz propaganda de remédio, deveria ingerir antes o produto e só depois fazer a publicidade.

A Xuxa, Luciano Hulk e tantos outros que ganham muito dinheiro fazendo publicidade, usam aqueles serviços dos quais dizem mil maravilhas?


A partir deste aprendizado, poderemos enfrentar as imagens da Coca-Cola e de todas as marcas.

Lendo “Madame Bovary”, de Flaubert, você percebe que a infelicidade da mulher não deriva do fato dela não usar o perfume tal.

As razões são outras, muito mais profundas.

O problema é que estamos vivendo um momento de enorme velocidade e de pouca concentração. (Emanuel Medeiros Vieira)


INSPIRAÇÃO E
TRANSPIRAÇÃO


Me perguntaram numa escola em Brasília: “Como se faz um bom livro?”

Eu sorri, sala cheia, jovens de 20 anos.

Sabia de cor a resposta de Somerset Maugham: “Há três regras para se escrever um bom livro. Infelizmente, ninguém sabe quais são.”

Porque escrever não tem receita. Tem inspiração sim. Mas tem muito trabalho. “Transpiração”, disciplina. Há que começar a faina diária mal rompe a aurora.

Todos os dias, todos.

E ler, muito. Reler. Ler mais. Sempre. Até o último suspiro.

Se pararmos de ler, vamos morrer.

O aprendizado da escrita é misterioso.

“O processo de aprender a escrever é desanimador porque é inexplicável”, afirma Alberto Manguel.

Ele complementa: “A leitura é uma atividade pela qual os governos sempre manifestaram um limitado entusiasmo”

É claro. A leitura abre os espíritos.

A literatura “revela”.

A verdade liberta. Com ela no seu coração, você não votaria mais por ter recebido uma esmola, um saco de cimento ou algumas telhas.

Ler sempre incomoda os ditadores, os napoleões tupiniquins, desagrada os poderosos, os idiotas e medíocres de plantão.

E, no geral, eles estão nos órgãos ditos culturais, com o seu vasto número de funcionários entediados, seus burocratas mesquinhos e seus lanches vespertinos, suas panelinhas burlescas, que querem camuflar o seu enorme vazio com roupas chics ou retóricas e preciosismos. Não enganam. Não adianta. São figuras que merecem a piedade. Serão varridos por qualquer vento sul.

Podem receber prebendas, se acham “sérios”, às vezes assinam colunas diárias.

Mas serão sempre figuras menores: aquelas que morrerão sem a solidariedade de si mesmas.

Manguel lembra que Pinochet proibiu “Dom Quixote”, de Cervantes.

Lógico, o leitor lendo Quixote descobriria a alma nazista do facínora sanguinário que foi o ditador chileno, uma besta do Apocalipse sul-americano.

Penso no que disse um republicano espanhol (pai de um escritor) que passou muitos anos numa prisão política:

“Até na cadeia vocês serão mais felizes se gostarem de ler.” (Emanuel Medeiros Vieira)
.
.

*

BATENDO OS TAMBORES
Estudantes preparam
novas manifestações contra
o aumento dos coletivos


Saiba mais no site do
Movimento do Passe Livre

*


Confira as fotos de Ben Kraijnbrink
do lançamento do DAQUI Jornal.


*

ATO PELO EGITO

Hoje (terça, 15.2), às 17 horas, ato público em defesa do povo egípcio e pela autodeterminação dos povos. Local: Esquina Democrática (ruas Felipe Schmidt com Deodoro, Centro, Florianópolis).

*

Emanuel Medeiros Vieira

Confira no final da tarde no Sambaqui na Rede dois novos textos de Emanuel Medeiros Vieira - Saber ler e Inspiração e transpiração.

14.2.11

.

EGITO
A luta se vence na rua


Por Celso Vicenzi*

A revolução popular no Egito, que derrubou o ditador Hosni Mubarak e seu vice, Omar Suleiman, tem sido saudada como uma vitória das novas tecnologias, pelo papel que twitter, facebook e outras ferramentas tecnológicas de última geração desempenharam na comunicação entre os manifestantes. No entanto, a grande lição dessa vitória popular é uma só: a revolução se faz nas ruas. Foi assim também na Tunísia, onde o ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali, no poder há 23 anos, teve que fugir do país após uma onda de protestos.

Toda tecnologia virtual é bem-vinda para facilitar a comunicação entre as pessoas, mas é a ação de gastar a sola de sapato e empunhar cartazes, faixas e bandeiras nas ruas, em direção aos centros do poder, que faz toda a diferença.

Na guerra também é assim. Os militares sabem que nenhuma guerra é ganha apenas com o uso da Marinha ou da Aeronáutica. É preciso ocupar, palmo a palmo, o território inimigo. A verdadeira luta se faz no chão. Desde as primeiras guerras até as atuais, altamente sofisticadas. Os Estados Unidos usaram principalmente a aviação para destruir toda a infraestrutura do Iraque. Mas, quando tiveram que usar seus soldados para ocupar cada rua, quadra ou esquina, as baixas foram se multiplicando e já estão próximas a 5 mil, forçando o governo norte-americano a anunciar a retirada gradual daquele território. Depois do Vietnã, mais uma guerra perdida. E no Afeganistão parece que não será diferente. Ninguém dobra a resistência de um povo disposto a resistir.

Não se deve esquecer que os Estados Unidos e vários países europeus apoiaram o ditador egípcio que, tal qual um faraó, já se mantinha há 30 anos no poder. Cabe questionar também por que a mídia, tão constante em suas críticas a Cuba e ao Irã, por exemplo, nunca se referia ao Egito como uma ditadura. Há muitas outras ditaduras apoiadas pelas principais potências ocidentais – e nunca apontadas pela mídia – que não se cansam, porém, de enaltecer as virtudes da democracia. Mas isso já é outro assunto...

Foi o povo nas ruas quem fez a revolução russa. Foram 11 milhões de trabalhadores e estudantes franceses que inspiraram gerações em todo o mundo, em maio de 1968, a lutar por mudanças. Mobilizações nas ruas foram cruciais para a retomada da democracia no Brasil, com o movimento das Diretas Já. Graças aos gritos que vieram das ruas, o Congresso Nacional tirou do poder o então presidente Fernando Collor de Mello, por meio de um impeachment.

Na internet são muito comuns os abaixo-assinados. Tem para todos os gostos e todos os credos. Eles são importantes para tomar consciência sobre alguns fatos que precisam ser mudados ou para impedir retrocessos e perda de direitos sociais. Mas costumam ser insuficientes para obter sucesso nas causas que defendem. Só mesmo quando milhares de pessoas tomam consciência, se unem nas ruas e pressionam as autoridades, aumentam as chances de vitória. É preciso abandonar o conforto das residências e a comodidade do computador e ir para o meio da rua enfrentar riscos. Que não são pequenos. Estima-se em mais de 300 o número de mortos no Egito, com milhares de feridos. Mas o destemor e a persistência do povo mudaram novamente a história. A luta por mais dignidade e democracia no Egito está só começando. Mas um passo importante foi dado.

Ditadores e seus exércitos fortemente armados nunca resistiram à coragem de um povo que decide levar às ruas e às praças as lutas nas quais acreditam. Sempre que um povo toma consciência da sua força e diz “basta”, a queda de quem o oprime é só uma questão de tempo. No Egito, exatos 18 dias.

Uma lição há muito conhecida e que não devemos esquecer.

*Celso Vicenzi é jornalista em Florianópolis, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina.

*

PRAÇA ABANDONADA


É lamentável a situação da praça Macário da Rocha, na Ponta do Sambaqui: bancos ausentes ou depredados e abandono do parque infantil existente no local. O pior é que em frente à praça a Prefeitura Municipal conclui a restauração do casarão de 1854 que sedia a Associação de Bairro do Sambaqui (ABS). O superintendente da Floram, Gerson Basso, visitou pela primeira vez a Ponta do Sambaqui no ano passado e se comprometeu a tornar o local uma verdadeira praça. Ficou na promessa.

13.2.11



DAQUI Jornal nº1
circulando no distrito

*
Confira também as crônicas de
OLSEN JR. e AMÍLCAR NEVES


*

Celso Martins, Cláudio Andrade, Helena Rodrigues e Joana Cabral.

Música de qualidade, pirão com lingüiça, cachaça de primeira e, sobretudo muita gente e animação marcaram o lançamento do número 1 do DAQUI Jornal, realizado no último sábado (12.2) no Engenho e Casarão dos Andrade, na Praia Comprida/Caminho dos Açores. Lideranças comunitárias, artistas, intelectuais, políticos e jornalistas prestigiaram o evento que teve o apoio da Associação dos Moradores de Santo Antônio de Lisboa (Amsal).

Independente, sem vinculação político-partidária, o DAQUI Jornal nasce com oito páginas em cores, três mil exemplares e circulação no distrito de Santo Antônio de Lisboa (Sambaqui, Barra do Sambaqui, Santo Antônio, Barreira, Praia Comprida/Caminho dos Açores e Cacupé), além de Ratones, Daniela e Praia do Forte. Com tiragem mensal, circulará por volta do dia 10 de cada mês, apoiando as ações e reivindicações da região e estimulando o potencial de trabalho e criação de seus moradores.

Sob responsabilidade da empresa DAQUI Edições (constituída para viabilizar o projeto), a publicação tem na coordenação editorial o jornalista e historiador Celso Martins, mais a acadêmica de jornalismo e cantora Joana Cabral (coordenação comercial) e o apoio da artista visual Helena Rodrigues (contato comercial). Além das entidades comunitárias da região, diversos voluntários apóiam o esforço de jornalismo comunitário e independente.

O evento foi coberto pelo jornalista Gilead Maurício e o fotógrafo Edson Luiz (Velho Bruxo), material que será publicado na edição número 2 do DAQUI Jornal, com lançamento previsto para o dia 13 de março. Músicos do grupo Gente da Terra marcaram presença, assim como o casal de músicos australianos Carl Cleves e Parrisa Bouas e uma banda uruguaia especializada em chorinho. A coordenação geral ficou a cargo do escultor Cláudio Andrade, presidente da Amsal.

Os vereadores Celso Sandrini (PMDB) e Edinon da Rosa (Dinho, PSB), prestigiaram o lançamento, assim como o ex-vereador Nildomar Freire (PT), entre outros. Os exemplares do jornal estão disponíveis no comércio local.

Fotos: Edson Luiz (Velho Bruxo)

Chico Pereira e Fernanda Schneider.

Áureo Moraes e Simone

Juarez Branco

Carl Cleves e Parrisa Bouas, músicos auastralianos




Sandrini

Rute Gebler


Janio Pires




Leonardo Cabral (d) e a degustação de ostras



Diego W. Passos e Sérgio Luiz Ferreira se servem de pirão, feijão e linguiça

Caminha, grande apoiador do DAQUI Jornal

Blogueira Angelita Brandão

Grupo de apoiadores no final da festa

*

GULLIVER REVISITADO

Por Olsen Jr.

Conversávamos sobre (re)leituras. Um amigo, diletante, bom leitor, afirmava a propósito de inúmeros lançamentos com novas traduções, edições completas, enfim, que não encarava uma nova leitura de um livro que tivesse gostado muito quando era adolescente.

A preocupação era simples, não pretendia desfazer o encantamento causado pela primeira descoberta.

Também tenho essa prevenção, mas arrisco. Algum tempo atrás reli o “Moby Dick”, do Melville, para surpresa minha, este segundo contato com a obra foi mais produtivo e prazeroso. Agora estou namorando “Alice no País das Maravilhas”, do Lewis Carroll.

Após ler a biografia do autor e também de saber que o John Lennon em uma entrevista afirmou que era o livro que “ele” gostaria de ter escrito, retomar esse texto hoje deve ser infernal.

Karl May e Edgar Rice Burroughs releio com frequencia sem perder o tal encantamento ao qual o meu amigo se referiu. Neste caso porque os “heróis” destes autores (“Mão de Ferro” e “Tarzan”) tinham um forte código de ética e se pautavam por ele para definirem um comportamento.

Agora, o filme “As Viagens de Gulliver”, inspirado na obra homônima de Jonathan Swift, já pode ser visto em Florianópolis.

Uma curiosidade sobre o livro que lhe deu origem, lembro (texto in “Memórias de um Fingidor”, p. 100) “Li a obra aos nove anos como literatura infantil. Na época longe estava de supor que se tratava ma maior crítica (jamais escrita) a um sistema de governo onde, o personagem principal, depois de sair de sua terra natal e morar em um país de seres minúsculos, e posteriormente, em outro habitado por gigantes, conclui que as misérias humanas são as mesmas e o tamanho das pessoas não conta diante do mal.”

“Finalmente, após outras aventuras, descobre o país ideal, governado por cavalos. Ao atribuir valores humanos aos animais e qualidades (instintivas) mais afeitas aos macacos (nos homens), Swift desmascarava o falso conceito do homem como animal racional.
Jamais o perdoaram por isso, embora a crítica do seu tempo reconhecesse na sátira um grande amor à verdade, uma aversão à hipocrisia e um empenho em desfazer as ilusões do povo do qual fazia parte.”

Na comédia que já pode ser vista por aqui, o diretor Rob Letterman optou pelo entretenimento. O ator Jack Black está muito engraçado e o filme ficou divertido.

Outro dia encontrei num sebo o livro “Percy Wynn”, Francis Finn que conta a vida de um colegial norte-americano com nove anos... Também tinha nove anos quando o li e estava num internato em São Carlos... Well, essa emoção não recupero mais!

*

Atestado de maioridade

Por Amílcar Neves*

Quando pouco se espera, surge a notícia, trazendo a comprovação da maioridade atingida pelo Avaí. Na realidade, a comprovação de uma situação que os números e o desempenho em campo já gritavam aos quatro ventos, já faiscavam pelos cinco continentes, já insinuavam nos sete mares. Só os surdos e os cegos não ouviam, não viam, não percebiam a realidade fulgurante que se impunha.

O Brasileirão é um dos campeonatos mais importantes do planeta. Tão importante que o mundo todo vem aqui em busca dos melhores jogadores. Isto vale especialmente para os chamados grandes campeonatos, aqueles de uns poucos países europeus que não cansam de se abastecer aqui de craques. Como, outrora, fizeram à exaustão com ouro, prata, pedras preciosas, pau-brasil, impostos, o que de melhor cá houvesse. Craques que muitas vezes desconhecemos porque daqui foram levados com 18, 17, 15 anos - ou menos. Como se fizessem uma ultrassonografia para descobrir o DNA de craque antes mesmo que o próprio garoto possa perceber que, de verdade, ele é um cracaço em gestação.

Pois desse campeonato assim rico de talentos só participam 20 clubes. O Avaí é um desses, um dos 20 melhores do Brasil (com 27 unidades na Federação, muitas aí já ficam fora dessa elite). Ao terminar em sexto lugar em 2009, o Avaí só teve, no ano, cinco times melhores do que ele. Sorte de iniciante, acaso que logo cederá lugar à verdade do futebol? Pode ser. Apenas acontece que, na última sexta-feira de julho, data em que esta crônica vai para o papel, o time azul e branco da Ressacada, após 11 rodadas, é o quinto melhor do país em 2010.

Mas então chega o atestado formal, oficial, indiscutível do alto nível do futebol avaiano: Renan, o garoto Renan de 19 anos de idade e 192 centímetros de altura, nascido aqui do lado, em Nova Trento, morando aqui perto, em São João Batista, formado nas bases do Avaí, revelado e atuando na equipe principal do Leão da Ilha, o goleirão Renan Soares Reuter foi convocado pelo novo técnico Mano Menezes para o selecionado brasileiro, para a Seleção principal - pois nas seleções nacionais de base já temos os goleiros Vítor, na Sub-16, e Alex, na Sub-19.

Se mantiver os pés no chão, o que parece ser da sua personalidade, Renan irá muito longe, a começar pela titularidade da Seleção que disputará as próximas Olimpíadas - tomara que ainda envergando a gloriosa camisa avaiana.

*Amilcar Neves é avaiano e escritor de crônicas, contos e romances, com sete livros publicados.

*

PS

Caríssimas leitoras, prezados leitores,

Alguns problemas ocorridos desde o final do ano passado, incluindo desde dificuldades persistentes de conexão à rede de computadores até a queima da memória do computador, o que exigiu a formatação do disco rígido (mas não apenas isso), dificultaram sobremaneira a manutenção de minhas correspondências, tanto eletrônicas quanto físicas.

Tentarei colocar tudo mais ou menos em dia neste mês de fevereiro, dando alguma satisfação, enfim, a quem entrou em contato com este escriba. Isto inclui remeter-lhes as crônicas que foram ficando pelo caminho, agora trazendo no assunto da mensagem o título, o gênero do texto, o veículo em que saiu impresso e a data de publicação.

Leiam-nas se acharem de alguma valia ou simplesmente as ignorem - a elas, mas não a mim, se for possível.

Grande a fraterno abraço,

Amilcar Neves.

11.2.11

.

Jornal e site serão
lançados sábado no

Engenho dos Andrade


DAQUI Jornal e DAQUI Web farão cobertura do
distrito de Santo Antônio de Lisboa e arredores


Dois veículos de comunicação do distrito de Santo Antônio de Lisboa serão lançados neste sábado (12.2) no Engenho e Casarão dos Andrade, com a presença da banda Gente da Terra, os músicos australianos Carl Cleves e Parrisa Bouas, e o artista Valdir Agostinho, além de projeção de fotografias e exposição de artes. Tudo isso será regado com caldo de feijão, cachaça artesanal de Ratones, sucos e pirão d’água com lingüiça, incluídos no custo do convite (R$ 20,00).

O DAQUI Jornal começa com oito páginas em cores, tiragem de três mil exemplares e circulação no distrito de Santo Antônio de Lisboa (Sambaqui, Barra do Sambaqui, Santo Antônio, Barreira, Caminho dos Açores/Praia Comprida, Cacupé), chegando ao Saco Grande, Ratones, Daniela e Praia do Forte. O segundo veículo é o site DAQUI Web, noticioso, com atualização diária, apresentando uma extensa lista de serviços e links dos blogs e sites da região.

O projeto é de responsabilidade da empresa DAQUI Edições, criada para viabilizar a iniciativa pelo jornalista e historiador Celso Martins (coordenação editorial) e a cantora e acadêmica de jornalismo Joana Cabral (coordenação comercial). A artista visual Helena Rodrigues atua por enquanto como contato comercial, com o apoio direto de entidades comunitárias e lideranças locais.

*

Programa musical


20h – Gente da Terra
21h – Ato de lançamento
21h30 – Carl Cleves e Parrisa Bouas
22h – Banda de músicos uruguaios
22h30 – Valdir Agostinho

Quando
Sábado (12.2)

Local
Engenho e Casarão dos Andrade. Caminho dos Açores/Praia Comprida, 1180 (Santo Antônio de Lisboa).

Início
20 horas

Atividades
Projeção de fotos de paisagens da região e exposição de obras dos artistas Cláudio Andrade e Neri Andrade.

Alimentos e bebidas
Caldo de feijão, cachaça artesanal de Ratones, sucos e pirão d´’agua com lingüiça (incluídos no convite), mais cerveja com venda à parte.

Mais informações
Celso Martins - (48) 3335 0200

Convites disponíveis no local. Custo: R$ 20,00.

*
MOBILIZAÇÃO NA DANIELA


10.2.11

.

Três textos de
EMANUEL MEDEIROS VIEIRA


Lembrando Prestes
*
Saint Exupéry: Aviador por profissão,
escritor por vocação (e devoção)

*
Paráfrase do padre Antônio Vieira

Foto: Celso Martins

*

LEMBRANDO PRESTES

Arte de Uelinton Silva com foto de Celso Martins
(São Paulo, Teatro Ruth Escobar, 1980)

Por Emanuel Medeiros Vieira

Agildo Barata estava numa cela com Luiz Carlos Prestes, em 1945. Notou um opúsculo de capa verde. Na capa: “Pensamentos de Augusto Comte”. No interior: aforismas estóicos, que Prestes traduzia do grego para passar o tempo. E dizia que como a capa era de Comte, os milicos não iriam tomá-la.

Conclusão de Barata: quando penso em Prestes, penso sempre num livro de máximas estóicas e de capa positivista.

“Que sacada, hein”, interpreta o meu velho amigo Flávio Aguiar (desde 1962, no Colégio Anchieta, em Porto Alegre, companheiro da AP nos seus tempos românticos e heróicos), editor do boletim “Carta Maior”, e que agora vive em Berlim.

Quando me lembro de Berlim me emociono: é que a conheci antes da queda do Muro, e lá varei noites conversando com Luiz Travassos, tomando muito vinho. existente.

Eu, ele e o também saudoso Alberto Albuquerque - a neve caindo - caminhávamos até perto do Muro.

Ele lá exilado. Eu fugido da “ditabranda”, segundo a Folha.

Voltando ao líder comunista: quando penso em Prestes penso mais num pensamento granítico e positivista de um homem íntegro, profundamente digno (às vezes equivocado, mas nunca desonroso).

Por exemplo: sua aliança (“Constituinte com Getúlio”) com Getúlio Vargas (que o deixaria muitos anos preso nas mãos do perverso Filinto Miller) foi um erro ou uma necessidade naquele momento, em função de um projeto político maior?

Em termos éticos não se justifica. Foi Filinto quem entregou Olga, a mulher de Prestes, para a Gestapo.

Sim, para a Gestapo.

Prestes era mais positivista que comunista. Estou equivocado?

David Nasser escreveu um livro chamado “Falta Alguém em Nuremberg”.

Esse alguém era Filinto “carrasco” Miller, que foi presidente da ARENA, o “maior partido do Ocidente”, segundo o inesquecível Francelino Pereira.

Francelino foi quem fez a nunca respondida indagação: “Que país é esse?”

Lembrando: a polícia política do Estado Novo (1937-1945), chefiada por Filinto Miller, arrancou com torquês um dente de Carlos Marighella.

Marighella, segundo o juízo insuspeito de Jarbas Passarinho (que fez a célebre proclamação no dia da promulgação do AI-5, 13 de dezembro de 1968: “às favas com os escrúpulos, Senhor Presidente”), teria sido o homem mais corajoso que existiu no Brasil no enfrentamento da tortura.

*

Saint Exupéry:
Aviador por profissão,

escritor por vocação

(e devoção)


Por Emanuel Medeiros Vieira

Antoine de Saint Exupéry (1900-1944) deve estar no vasto Mediterrâneo. Nunca acharam o corpo deste aviador por profissão e escritor por vocação (e devoção).

Não importa. Ele é do mar e de todos nós.

O grande Antoine um dia desceu em Florianópolis – na Ilha de Santa Catarina –, no Campeche (felizmente, antes de sua favelização).

Não, não é, como muitos pensam, um escritor das misses que, com suas curtas massas encefálicas, nunca o entenderam. É maior. Leiam o final de “Terra dos Homens”, na tradução de Rubem Braga.

Traduzi trechos do livro de Saint Éxupery.

Mas a versão do maior cronista brasileiro de todos os tempos é perfeita.

Leiam: “O que me atormenta, as sopas populares não remedeiam. O que me atormenta não são essas faces escavadas nem essas feiúras. É Mozart assassinado, um pouco, em cada um desses homens. Só o Espírito, soprando sobre a argila, pode criar o homem.”

*

PARÁFRASE
DO PADRE

ANTÔNIO VIEIRA


Por Emanuel Medeiros Vieira

O ladrão que furta para comer não vai para o
inferno, mas para a cadeia.

Os outros, de maior calibre, furtam sem temor nem
perigo.

Os elevados, furtam e enforcam.

Os que roubam e despojam povos – e esperanças –
recebem comendas e prebendas.

São promovidos, enaltecidos, empregam a prole,
festejam e são festejados – e sorriem.

O anônimo rouba um homem.

O maior – íntimo dos palácios – rouba cidades e reinos.

9.2.11

.

Nelson Motta
Enredo do Baiacu

Raul Fitipaldi
Diploma de jornalista

Urda Klueger
Abya-Ayalla

Praia da Ponta do Sambaqui (Florianópolis-SC). Foto: Celso Martins


BAIACU HOMENAGEIA
O CINEMA NO CARNAVAL

"Pessoal do Cinema de SC!
Não sei se é a primeira vez, mas se não for é uma raridade um bloco de Carnaval de Florianópolis ter escolhido como seu enredo para desfilar o tema do Cinema, principalmente focado no Cinema Catarinense, e com uma letra bem “critica”a situação atual do nosso Cinema, principalmente quanto aos espaços de exibição dos nossos filmes (vejam a letra e escutem o samba através do nosso site wwwbaiacudealguem.com.br). Para quem não sabe o bloco Baiacu e Alguem é um bloco comunitário (comunidade de Santo Antonio de Lisboa), que não tem patrocínio nem público nem privado, mantendo sua autonomia e sendo autosustentável através da venda das camisetas e dos ensaios e ventos que são realizados ( ensaios segundas, quartas e sextas), desfilando pelas réus de S.Antonio na Sexta e na Segunda Feira de Carnaval. Já fizemos parceria com algumas pessoas ligadas ao nosso cinema que muito ajudaram com textos, palestras subsidiando nossa “ala de compositores”na confecção do samba deste ano. Queremos dar continuidade a esta parceria com algumas sugestões. Precisamos de cartazes de filmes catarinenses que serviram de “alegoria”no nosso desfile. Ta rolando uma proposta de colocarmos um telão no caminhão de som, e exibirmos trechos dos nossos principais filmes durante o desfile, estamos vendo como estruturar isto. A Liliane Motta produtora de cinema e nossa vizinha aqui no bairro se propôs a ajudar nisto....temos que viabilizar os telões (2), os projetores etc....quem quiser ajudar ou dar idéias sobre os desfiles estamos abertos a isto, é só comparecer aqui nos ensaios e conversar com a Adriana, Helena ou Daniela que estão vendo esta parte. Por último queremos convidar a todo o “povo”envolvido com o Cinema para desfilar com a gente. Podemos articular uma “pacote”de camisetas para vcs. A 1 preço mais acessível. Só precisamos organizar isto o mais rápido possível pois ‘tá chegando a hora” No site tem nossos fones, mas qualquer dúvida podem ligar para mim 91011183. Apareçam nos nossos ensaios!!! Abs.Carnavalescos Nelson Brum Motta P/Coordenação do Bloco. OS:Pode ser que com isto alguma Escola de Samba de Floripa se sensibilize pelo tema e coloque como enredo nos próximos anos, ao invés de ficar homenageando até Lojas Multinacionais...".

*

*
Atrás de cúmplices

Por Raul Fitipaldi*

A discussão sobre o diploma de jornalista, marcada pelo oportunismo das empresas monopólicas de comunicação, a “fraqueza espiritual” do governo federal e a podridão da Justiça e do Congresso Brasileiro, pretendeu confundir e ocultar o direito das pessoas (incluídos nós, jornalistas) à liberdade de dissentir, de defender suas idéias e de comunicar-se ao seu modo. Tentaram servir um prato feito, no qual o diploma era desnecessário, de modo que as empresas tivessem a liberdade de contratar garantidores de rating ou pagassem salários mais míseros ainda a jornalistas fashion e moldáveis para apresentar seus produtos modeladores de opinião, conhecidos sob a alcunha de notícias. Por tabela, para que o espectro informativo e comunicacional fosse tomado de assalto por opinólogos de ofício e proto-candidatos a qualquer coisa, induziram à idéia de que em nenhum caso é necessária a técnica para que as pessoas cumpram o papel de comunicadores, basta ter acesso a um computador. Comunicar é uma das funções do jornalista, sua finalidade principal, no entanto, o jardineiro e o engenheiro, a nutricionista e a faxineira, todos podem se comunicar, E DEVEM. Às vezes precisa-se de um jornalista, às vezes não; para entrar nos sítios de relação social não se necessita, para garantir a qualidade de compreensão de um texto noticioso sim. No meio disso, há uma parte pequena da categoria jornalística (muito pequena ainda) que dedica boa parte da vida a fazer comunicação e jornalismo de maneira militante, por convicção ideológica, por princípios humanistas, pela sua ética social, pela Soberania Comunicacional da Comunidade e dos Povos.

Santa Catarina vem se servindo de um grupo desses jornalistas vinculados também com diversos grupos de comunicadores sociais formados por intelectuais, trabalhadores, estudantes, agricultores, líderes de setores minoritários da sociedade, ecologistas, e mais. Jamais, em momento algum, nenhuma das profissões dos que exercemos o direito humano da comunicação tem sido empecilho ou vantagem para nosso relacionamento entre nós ou com aqueles que, construindo o dia-a-dia na sua casa, na sua comunidade, na sua família social ou de trabalho, tem coisas a dizer e as publicam.

O extraordinário motivador da nossa vontade comunicacional, para a qual técnicas diversas e conhecimentos variados só vêem a qualificar o que se diz ou se escreve, está formado pelos ingredientes tradicionais da luta contemporânea: a injustiça, a repressão, o desemprego, a miséria, a precariedade, a acumulação da riqueza nas mãos parasitas de poucos, a privatização do Estado e o desleixo do próprio Estado burguês, discriminador e pré-conceituoso.

É necessário que uma trabalhadora possa denunciar que não tem creche para seu filho. Que um agricultor denuncie se é escravizado na sua atividade. Que um advogado denuncie uma injustiça por discriminação de qualquer natureza. Que um jornalista coloque sua técnica à disposição da luta da sua família social. É necessário que todas as vozes e as palavras se reúnam em afã libertador. Para isso a militância comunicacional precisa ser ampla, tolerante, aberta, popular, constante, e deve marchar desde o computador até a rua, o lugar onde dirimimos nosso tamanho perante a exploração.

Esta tarefa de comunicar como alternativa ao poder central dos monopólios privados e do Estado injusto, precisa crescer. Ela é fascinante, é um convite ecumênico onde os ateus ficamos à vontade e dele fazemos parte. É um romance delicado, a pé de ouvido com a nossa grande namorada, a população da qual formamos parte indivisível. É a saborosa cadeia que unindo vocábulos e palavras, frases e mãos se levanta inquieta e sensual para lutar por nossos direitos, os direitos dos pobres e dos livres. Ser cúmplice, ou procurá-los em uma ação amorosa e central que todos, em Rede Popular e Libertaria, devemos formar para conquistar a Soberania Comunicacional. Vamos juntos, jornalistas devidamente diplomados e comunicadores sociais, até que a noite amanheça.

* Raul Fitipaldi é jornalista, coordenador do portal Descato. O texto Atrás de cúmplices foi escrito para a revista Pobres&Nojentas e a Rede Popular de Comunicação Catarinense (RPCC).

*

*
ABYA-AYALLA - OUTUBRO

Por Urda Alice Klueger*

Sempre soube, desde pequena, que as coisas tinham coração, tinham sentimentos, tinham vida, sofriam e eram felizes tanto quanto os seres vivos. Na minha infância, por exemplo, se acontecesse de eu dar uma topada numa pedra, por mais que o meu pé estivesse doendo, eu ficava a imaginar o quanto a pedra se machucara também, e pedia perdão a ela, e assim por diante. Árvores, plantas, por exemplo, eram coisas vivas, e então deveriam sentir e sofrer ainda mais que as outras coisas, e então eu evitava de arrancar qualquer folhinha, qualquer galhinho, e quando me consentia tirar pedacinhos de folhas dos pés de tangerina, para ficar a cheirá-los, a esmagá-los na mão e friccioná-los no corpo por causa do seu perfume que para mim é inigualável, ficava muito apiedada do que sentira o pé de tangerina, e conversava com ele, explicava-lhe dos meus sentimentos e do meu amor por seu cheiro, e lhe pedia desculpas.

Tive que crescer mais um pouco, porém, para entender que não eram só as coisas como pedras, formigas e pés de tangerina que tinham alma e sentimentos: um dia viajei pela primeira vez para a encantada cidade de Salvador, que conhecia quase que profundamente através de um escritor que dedicara sua vida a ela, um baiano chamado Jorge Amado, mas que jamais imaginara que fosse uma cidade com alma. E ela estava lá, a alma de Salvador, batendo fortemente dentro de um coração que se situava bem sob a estátua de Castro Alves, na praça do mesmo nome, sobranceira ao Mar de Iemanjá! Foi uma surpreendente surpresa descobrir aquela coisa, e eu não queria mais sair daquela praça, tentando auscultar as poderosas batidas que vinham de sob ela, entendendo perfeitamente, então, que também as cidades possuem coração e sentimentos!

Descobri o coração de Salvador em 1988; descobri o coração de Abya-Ayalla cinco anos depois, quando me aventurei por países nunca dantes navegados por mim, e fui bater em Sacsayuhaman.

Alguém há de me perguntar o que poderá ser Abya-Ayalla, e então explico: é o nome que muita gente quer que tenha este continente aonde vivemos. Alguém pode até rir, achando que é bobagem, mas esse é um assunto que tem sido seriamente debatido em Fóruns Internacionais, por sérias pessoas que pensam muito seriamente sobre tal possibilidade, e eu já tenho visto uma porção de gente chamando de Abya-Ayalla a este continente que faz uns 500 anos foi batizado de América, por causa de um navegador estrangeiro chamado Américo Vespúcio. Além de saber que era um navegador, e estrangeiro, o que você sabe sobre Américo Vespúcio? Aposto que nada – o que pode representar o nome de América tirado de um navegador que não teve a mínima importância para nós? Pois é, e o nome está aí, durando quase 500 anos.

Abya-Ayalla, no entanto, tem uma significação poderosa: numa das antigas línguas existentes na América Central, ele é traduzido como “Mãe Terra”, ou seja, a mãe de todos nós.

E a Mãe Terra tem coração, tem alma, tem sentimentos?

Tem, e eu descobri tal coisa em 1993, quando fui pela primeira vez a Sacsayuhaman, aquela antiga fortaleza Inca, nas cercanias da cidade de Cusco, Peru, onde, no século XVI, houve a batalha final entre o povo Inca e os soldados do invasor espanhol Pizarro, o que alterou toda a História do nosso continente. É bem ali o coração da América; é ali que gente pode auscultar o solo e senti-lo bater, angustiado e arfante, na mágoa pela destruição dos seus amplos tempos de glória e pelas injustiças do presente. Nunca esquecerei a emoção de descobrir tal coisa, de entender que o nosso continente tem uma alma como as mães têm, já que Abya-Ayalla ele é, mesmo.

Passou-se bastante tempo; foi só no outro outubro, faz agora 15 meses, que eu voltei ao coração deste meu continente muito amado. Eu tinha muita coisa a contar-lhe, mas uma era a mais linda de todas.

Despistei todos os turistas de todos os lados do mundo que por lá andavam, e sorrateiramente me esgueirei até os píncaros daquela fortaleza que parece chorar, tamanho o peso das suas lembranças, e lá, no seu ponto mais alto, sentindo um enorme e poderoso coração pulsar sob mim, eu gritei – gritei bem alto, o mais alto que podia, gritei para o continente inteiro ouvir – o quanto eu amo o meu amor!

Abya-Ayalla entendeu, soube na hora. Seu poderoso coração sofrido de repente deixou de arfar, e disparou de alegria como disparam os corações das mães!

Obrigada pela solidariedade, Mãe Terra! O grande amor não tem como deixar indiferentes sequer o coração dos continentes!

Blumenau, 19 de Março de 2006.

*Urda Alice Klueger é escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR.

*


8.2.11

.

LAGUNA-SC
Farol de Santa Marta
ameaçado por esgotos


Moradores fazem protesto no final de semana

Esgoto escorrendo na Prainha do Farol. Fotos: Rasgamar

“PRAINHA em PROTESTO”

Acontece neste fim de semana, 12 e 13 de fevereiro de 2011, o Iº Campeonato de Futebol Feminino do Farol de Santa Marta, categoria mirim e infantil.

O evento é um protesto pacífico contra o histórico problema de esgoto na Prainha do Farol. A situação piora a cada ano.

A impunidade e a falta de interesse sobre o assunto deixaram a Prainha imprópria para banho e uma ameaça “ao ar livre” a todos que usufruem do espaço.

Atualmente são sete focos de esgoto em uma extensão que não chega a trezentos metros.

O evento visa chamar a atenção da população e das autoridades para o problema e abrir a discussão para a solução.

“Com dois mil metros de cano resolvemos a primeira parte do problema que é coletar o esgoto e tirar da faixa de areia. Num segundo passo seria a implantação das estações de tratamento para tratar o esgoto antes de despejar”. Afirma João Batista Andrade presidente da ONG Rasgamar.

“Os córregos pluviais estão sendo usados para despejar o esgoto “in natura” na Prainha desde o início da década de 80 e até hoje somos ignorados pelas autoridades que não tem interesse em resolver o problema”, afirma um morador do Farol, “nossos filhos não podem ir mais a praia e os turistas foram escorraçados do Farol de Santa Marta pelo esgoto e pela falta de uma política de turismo responsável”, conclui.

Além de esgoto a ocupação desordenada e o uso da faixa de areia por 4X4 estão inviabilizando o lugar para o turismo.

A Prainha do Farol de Santa Marta está podre pelo despejo indiscriminado de esgoto, a Praia do Cardoso, a Praia da Cigana e a Praia Grande se tornaram estrada expulsando as famílias que não conseguem levar seus filhos por causa do tráfego de veículos.

O ano de 2011 está sendo encarado como um marco para resolver os problemas existentes no Farol, pois em pleno século 21 não é aceitável conviver com essa situação.

Esgoto a céu aberto, tráfego de veículos indiscriminado nas praias e ocupação de áreas de preservação permanente devem ser controlados, a fim de sustentar uma política de turismo voltada a preservação e valorização ao invés da destruição, a qual se intensifica a cada ano com sério risco de perda da saúde do ambiente e do atrativo turístico.

A Prainha é o lugar onde as crianças da comunidade e turistas brincam, além de ser a “recepção” de um destino turístico apreciado por muitas pessoas de diversas regiões do país.

No Farol de Santa Marta, comunidade de pescadores artesanais, cerca de 200 famílias sobrevivem do turismo.

A CASAN e a Prefeitura Municipal de Laguna foram convidadas a participar do evento. (Comissão de Esgotos da Prainha)




Vista geral da Prainha: abandonada do poder público

7.2.11

.

MOTORISTA DE CAMINHÃO
DA COMCAP ROMPE FIAÇÃO

E VAI EMBORA DE FININHO


Acidente aconteceu por volta das 17h20 de hoje (7.2) na travessa Jandira Pires da Cunha, em Sambaqui. O choque sacudiu a fiação e os postes da Celesc, provocando um estrondo que assustou moradores. O motorista chegou a parar a veículo e olhar o que havia acontecido, mas saiu como se nada houvesse acontecido, sem atender aos chamados aos gritos da vizinhança. Saldo: rompeu o cabo de aço que sustenta a fiação de telefonia.