9.6.11

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REFLEXOS E MOVIMENTOS
Sambaqui, 8.6.2011, Fotos: Celso Martins

MAIS:
"Numa manhã", poema
de Emanuel Medeiros Vieira














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NUMA MANHÃ

Por Emanuel Medeiros Vieira

Se depois de eu morrer, quiserem
escrever a minha
autobiografia,/Não há nada mais
simples/Tem só duas
datas – a da minha nascença e a da minha
morte./Entre uma e outra coisa todos os
dias são meus.”
(Fernando Pessoa – heterônimo Alberto
Caeiro – “Poemas Inconjuntos”)

Venceremos a Morte,
ensina a Revelação.
Venceremos a Morte?,
indaga o coração ambivalente no dia recém-
fundado,
manhã de sol,
alguém carrega pão novo,
um menino vende jabuticabas,
venceremos a morte? – questiona novamente meu
coração.
Fragmentos – só pedaços, retalhos,
ânsia de totalidade,
o tempo não existe para o inconsciente.
Sim, os eventos são assim:
como os lembramos.
Qual a nossa eficácia?
(Daquele que escreve.)
Nenhuma
Nenhuma?
Palavra arrancada neste trânsito: o que
quer meu coração?
Venceremos a morte?
Amanhã eu também serei o que deixou de
passar nestas ruas, a que outros vagamente
evocarão com um o que será dele?

4 comentários:

Anônimo disse...

Que lindo,Emanuel!O que será do outro ,de nós ,na nova dimensão inalcançável aos nossos olhos? Só sei que nossas lembranças se reinventam.

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória.." José saramago

Tânia Lúcia

Anônimo disse...

Que lindo,Emanuel!O que será do outro ,de nós ,na nova dimensão inalcançável aos nossos olhos? Só sei que nossas lembranças se reinventam.

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória.." José saramago

Tânia Lúcia

Chicos disse...

Oi Emanuel!
Gostei muito.
Somos todos caminhantes, nesse grande caminho drummondiano com suas pedras, rumo à grande dúvida.
E o amanhã da fé cristã ainda haverá?

Chicos disse...

Olá Emanuel!


Somos todos caminhantes, pelos drummondianos caminhos de pedras, rumo à grande dúvida. Ainda haverá um amanhã como há na fé cristã?

Gostei muito da eficácia de suas palavras elas permitem tantas reflexões.

José Antonio Pereira