1.8.11

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A FORÇA DE UM SONHO

Por Olsen Jr.

(Para Janice Baumgarten)

Logo após receber a notícia de que tinha ganhado a eleição para a Academia Catarinense de Letras, tive a sensação de que me aliviavam de um peso que estava carregando há muitos anos.

Depois sonhei... Um respeitável senhor com uma roupa branca e um rosto indefinido disse: “Agora você vai realizar muitos dos teus sonhos, mas tudo acontecerá em um curto espaço de tempo... E depois você terá de partir”... Respondi que sabia disso, que a minha avó já me tinha dito que era assim... A figura foi desaparecendo aos poucos e não pude perguntar mais nada...

Isso está na minha cabeça à semana inteira, junto com uma gripe que não me larga.

Foi uma semana diferente. Pela primeira vez na vida tive a consciência plena de que existia, era alguém, reconhecido no posto de gasolina, no café, no restaurante, nas ruas... Cumprimentos de todos os lados, telefones, e-mails, abraços e a sensação de que tinham, finalmente, admitido o escritor, sim porque é o escritor que me mantém vivo e humano...

Almoços, jantares, presentes... Bons amigos e a solidariedade das pessoas sensíveis.

Coincidências à parte fazem 12 anos da existência da confraria “Almoço das Estrelas” que se reúne toda última sexta-feira de cada mês para conversar, comer, beber e “malhar” qualquer coisa que se mova. Tive a ver com a sua criação junto com o Raul, Irê, Aldírio, Beto...

Faz 25 anos da fundação da Editora da Furb, sou o pai daquela criança que se tornou adulto e passa muito bem e me pedem um depoimento sobre o feito...

Também, o romance “Memórias de um Fingidor” é agraciado com um prêmio da Fundação Franklin Cascaes... No mesmo dia há a pré-estreia do filme “As Bruxas” baseado em três contos da obra “13 Cascaes” (Flávio Cardoso, Raul Caldas e Olsen Jr.)...

Decido, finalmente, fazer a doação de uma dúzia de cartazes, posters que contam a história do movimento estudantil da Universidade de Blumenau, desde o I Festival Universitário da Canção (1975), passando pelo I Salão Universitário de Artes Plásticas (1977), a imprensa alternativa, os Concursos Nacionais de Contos, a sede social, as antologias, os encontros de escritores... Toda uma história que carrego comigo em imagens, com arte, mas que não revelam a dureza que foi o regime militar onde tudo isso foi realizado...

Não pude ir à entrega do prêmio ao romance, tampouco assisti ao filme, peço desculpas aos organizadores e digo que fui derrubado por uma gripe... Eles argumentam que um “Imortal” não deveria estar gripado... Afirmo que a doença é anterior a tal conquista e eles me confortam afirmando que depois da “imortalidade” o seu portador não vai pegar mais nada... É o meu temor!

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Pós-escriptium

Celso, camarada, salve!
Vai a da semana ainda sob o rescalda da eleição para a Academia Catarinense de Letras...
Suada, sofrida, mas vencedora, ganhou a literatura, presumo...
A música “Come Together” (Vamos juntos) nasceu de um protesto do Lennon contra a guerra do Vietnã... No governo Richard Nixon e no estado da California, o ator Ronald Reagan... Quando o poeta do LSD e professor universitário Timothy Leary se candidatou para ocupar o lugar de Reagan, ganhou esta composição para apoiá-lo na campanha...
A canção passou a ser o jingle da campanha eleitoral... Leary tirou as palavras “Come Together” do I-Ching chinês… O convite tinha ainda a expressão “come together, join the party” e que pode ser traduzida como “goze junto, curta a festa”...
Um abraço nórdico e fraterno do poeta!






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Olsen na Sarau Literário

Confira na revista eletrônica Sarau Literário o preciso estudo intitulado "Oldemar Olsen Jr. é um contestador: muito além das palavras e do silêncio", por Regiane Regis Momm.


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