5.7.11

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Casarão da ABS/Ponta do Sambaqui. Maio de 2011. Foto: Celso Martins



A F E T O

Por Emanuel Medeiros Vieira

“Se não for pela poesia, como crer na eternidade?”
(Alphonsus de Guimaraens Filho)

Sobra este afeto
(a muralha que me resta).

Sim, é este patrimônio que me cabe-
sem valor contábil,
o que amo,
contra o ruído, o mal e a bofetada.

Tribo perdida,
só queremos saber de nós mesmos.
Minha verdadeira cidadela é o território dos afetos.
transformado estou: no guerreiro que não me
imaginava mais, exaurido: ainda assim combatente.

Restaurado o menino que viu a regata:
é esta matéria mnemônica que tento re-fundar aqui,
papel em branco, nova manhã.

O latim do colégio ensinava que “recordar” vem de:
“recordis”:
tornar a passar pelo coração.
(A poesia perpetuará esta fugaz manhã, despistando a
morte?),
vem, menino, sossega o coração na manhã azul,
me legitima na palavra escrita,
eterniza o poema para os que vierem depois:
é minha oferenda (o sentido desta peregrinação).

3 comentários:

Amneres disse...

A morte, um caminho que trilhamos desde o nascimento e que a medida em que amadurecemos, mais com ele ganhamos intimidade e conhecimento. Belo poema, querido amigo. E viva a poesia e o amor que nos ancora.

Amneres

Clínica Veterinária OS MASCOTES disse...

Em cada linha, uma entrelinha;
Em cada verso, o anverso-reverso da vida e morte;
Em cada lembrança, a memória que meu esquecimento encerra.
Sublime poema, lido na antesala da eternidade. Nele me vejo e vislumbro meus medos. E nele antevejo a paz infinita e sobranceira, que só a morte trará: o encontro. Abração, FÁBIO HEERDT.

mbeag disse...

Querido Tio Tadeu:
Lindo poema, que bem traduz o amor que nos une nesta bela tribo que formamos, e que nem a morte tem o condão de extinguir...
Beijos e saudades,
Bea