1.6.10

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INVASÃO DA UDESC CHOCA
A COMUNIDADE ACADÊMICA


Caso será levado ao MPSC.
Confira as reações à invasão policial.



Aluna de Pedagogia sedo presa dentro do campus da
Udesc sob a mira de uma Taser. Foto: Hans Schneider.


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Olá para todas e todos

Ontem, após ser chamado pela professora Glaucia Assis, cheguei no Campus I da UDESC, às 22h00, edifício da Faed, onde encontrei alguns alunos e o professor Ricardo A. d´Vincula comentando a invasão da força policial no Campus que até aquele momento ainda ocorria. Fui de imediato ao portão de acesso principal da UDESC, em frente a Reitoria e encontrei muitos alunos, professores e uma ostensiva força policial, desproporcional em larga medida a confusão e prejuízos que supostamente, os alunos, segundo o comando da Força Policial, causariam à Universidade. Conversei com a profª Janice Gonçalves brevemente, que me auxiliou na interação do ocorrido. Dirigi-me então ao comando da Força Policial, ao cidadão que atende pelo nome de Newton Ramlow. O tenente-coronel me atendeu bastante a contragosto. Perguntei a ele se havia mandado judicial para que o Campus fosse invadido. O mesmo me respondeu que não precisava de "mandato", pois era uma Universidade do Estado e a Polícia também. Disse a ele que de fato "mandato" não precisava, e sim um mandado. O sujeito disse que havia realizado seis prisões, todas de gente infiltrada, de São Paulo, provavelmente. Ainda me perguntou se eu sabia a baderna que ocorria na cidade. Disse que até onde eu sei não havia baderna e sim protestos de pessoas que tiveram seus direitos prejudicados. Disse ele que era minha opinião contra a dele. Por último, levantou a janela de seu carro, deu-me boa noite e disse que se eu quisesse mais informações deveria formalizá-las por escrito.

Depois disso, encontrei com a profª Glaucia, e junto a um grupo de alunos, buscamos mais informações sobre o ocorrido. Produzimos um documento, eu e Glaucia, que mando para vocês em anexo. Penso que o texto deve incorporar outras falas, como o que foi colocado pela Janice, Reinaldo e Carmem Tornquist. Fotos e vídeos podem ser vistos no blog do Celso Martins em: http://sambaquinarede2.blogspot.com/. O material foi produzido pelo fotográfo Hans Denis Schneider, que gentilmente nos cedeu.

Lembro a todas e todos que as reclamações devem ser dirigidas a Reitoria, que até o momento não se manifestou. Penso que, e concordando com o que já foi dito pelos citados aqui, devemos sim escrever e reclamar do ocorrido. Mas a primeira medida que precisamos exigir é um posicionamento claro e firme da Reitoria. Os diretores (as) de Centro, em minha visão, devem se unir e buscar uma conversa urgente com o Reitor.

Lembrem: apesar de você amanhã há de ser outro dia...

abs

Prof. Dr. Emerson César de Campos
Departamento de História
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

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Nota

UDESC invadida
pela força policial


Os estudantes da UDESC, juntos a demais estudantes da Capital catarinense participam de uma mobilização contra o aumento das passagens do transporte coletivo como é de conhecimento público. Na noite deste dia 31 de maio, a partir das 18h30min, avolumou-se uma concentração de estudantes em Frente ao Campus I (Reitoria), em manifestação. Diante desta concentração, ocorreu a presença ostensiva da Força Policia, sobre o Comando do Tenente-Coronel Newton Ramelow.

Por volta das 19:30 horas, com um ainda pequeno número de estudantes (cerca de 15) houve a primeira prisão de um estudante da UDESC, do Centro de Artes – CEART. A partir de tal prisão ocorreu o acirramento dos protestos na Avenida Madre Benvenuta, em frente à UDESC.

Os alunos da UFSC e outros estudantes vieram a UDESC para apoiar a manifestação e protestar contra a prisão do estudante, às 20h, entre 150 a 200 pessoas, estavam na calçada em frente ao Campus I. Nesse momento a policia fez um cerco aos estudantes e não permitiu que saíssem do Campus por nenhum dos portões de acesso à UDESC. Diante desse quadro, as 21h30min ocorreu a invasão do efetivo policial ao Campus I. Ação policial foi registrada pelos presentes com vídeos e fotos, que demonstram uma violência desproporcional, pois foram utilizados spray de pimenta, choque, empurrões e prisões de 06 estudantes dentro do Campus da UDESC.

Não houve, em momento algum, apresentação de mandado judicial pela força policial para adentrar ao CAMPUS I e efetuar as prisões.

Diante do exposto, solicitamos a Reitoria da UDESC, Instância maior da Universidade, esclarecimentos e providências sobre os fatos ocorridos.

Florianópolis, 31 de maio de 2010

Prof. Emerson César de Campos
Profª. Glaucia de Oliveira Assis

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Polícia no campus

Colegas

Ontem à noite, 31 de maio, por volta de 21h40, quando eu estava ainda atendendo uma equipe da disciplina de Prática Curricular - Patrimônio Cultural, na FAED, um pequeno grupo de alunos, bastante alarmados, passou pelos corredores procurando alguém da Direção, ou professores, que pudessem fornecer ajuda para conter a ação policial em frente à UDESC, naquela noite.

Alguns deles tinham sido agredidos (especialmente uma garota, com cassetetes e choques, e seu rosto estava vermelho e inchado) e fizeram relatos de outras agressões, inclusive prisões, realizadas por policiais na frente e dentro da UDESC.

Encerrei então a conversa com o grupo que atendia e tentei encontrar alguém da Direção, mas de fato já o horário não ajudava; na sala da Direção, ao que parece, uma das alunas conseguiu ligar para a Profa. Marlene.

Fui então até a entrada da UDESC e, naquele momento, existiam ali vários policiais, na entrada principal e ao longo da via, e três viaturas. Um número bastante significativo de alunos estava concentrado em frente à Reitoria.

Fui até os policiais, identifiquei-me como professora e perguntei sobre o responsável pela "operação", e eles me indicaram o tenente-coronel Newton, que estava presente.
Perguntei ao tenente-coronel qual a razão de prenderem e agredirem nossos alunos; ele me disse que não eram meus alunos, mas alunos "da UNE, de São Paulo". Perguntei quantos alunos tinham sido presos; ele me disse que não sabia dizer, sendo necessário consultar os registros. Perguntei as razões das prisões; ele me disse que foram presos em virtude do descumprimento de várias ordens judiciais. Perguntei a razão da polícia ter se deslocado para UDESC e permanecer no local até aquele momento, de forma tão ostensiva; ele me disse que houve denúncia de que a Reitoria seria invadida pelos alunos. E mais não quis dizer.

Pouco depois estiveram ali o Prof. Emerson e também a Profa. Isa.

O número de viaturas variou, no período em que estive na entrada da UDESC, junto com os alunos - de três a uma, aumentando depois para duas...

Sei que a Profa. Isa conversou com os policiais tentando negociar a saída dos alunos com tranquilidade. Era preciso tentar garantir que eles não fossem presos só por saírem da Universidade a pé (quem saía de carro não era abordado...).

Não sei o que aconteceu depois das 22h45, quando voltei para casa.

De toda forma, penso que tudo isso é bastante grave, e exige apuração e contestação firmes, da parte da Universidade.

Independentemente do que venham a fazer reitores, pró-reitores, direções de Centro, penso que cabem também manifestações dos Departamentos - além, claro, das manifestações individuais daqueles que entenderem importante fazê-las.

Penso que a ação da polícia, ontem, no campus, faz extrapolar bastante a agenda do debate sobre transporte público, e coloca todos nós na linha de frente da defesa de nossos direitos fundamentais. Penso que é o momento de fazermos o que, em princípio, sabemos fazer melhor: problematizar, discutir, criticar, escrever. O próprio papel da Universidade foi colocado em xeque.
Abs.,
Janice

(Janice Gonçalves. Departamento de História. Centro de Ciências Humanas e da Educação. Universidade do Estado de Santa Catarina)

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Salve,

Não parece à toa que autores contemporâneos insistam na continuidade, na íntima relação entre democracia e ditadura e que o Estado de Exceção é uma norma. Anomia declarada e justificada pela Força da Lei: “esta é uma instituição do estado”, disse a sentinela do soberano/Dário/Pavan. O dia de ontem reaviva a memória das invasões feitas a USP, UFRGS e UFRJ nos idos dos tenebrosos anos de 1970...

Não só o campus foi invadido e violentado, mas também nossos “direitos fundamentais” (como lembrou a Janice), nossa profissão, nossa condição de habitantes de um país pretensamente democrático e livre. Urge que Departamentos, Centros Acadêmicos e Direções exijam da Reitoria um posicionamento claro e firme!

abs

Fábio Feltrin

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Saudações a todos,

Acabei de ler as mensagens relacionadas aos eventos de ontem, e adianto que estou preocupado, mas imagino que não deva ser surpresa, em nosos Estado, que as manobras já estejam alcançando este grau de intimidação. Ao invés de esperar os estudantes nos locais de manifestação usuais, as informações colhidas pelos investigadores vão levando a força policial cada vez mais ao ataque. Gostaria de me pôr à disposição para qualquer iniciativa promovida para responder a estas arbitrariedades, e assevero mais uma vez minha preocupação pelo fato do potencial agressivo da força policial estar direcionada com tanta veemência contra os usuários da educação pública.

Abraço a todos
José Claudio

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Olá a todos

Gostaria de reiterar que a UDESC, por meio da Reitoria, deve ter um pronunciamento claro e firme contra esta agressão à Universidade, cobrando oficialmente explicações dos responsáveis pela invasão do campus. Chamo a atenção de que não se trata de um ato isolado: há cerca de duas semanas ocorreu uma perseguição policial aos estudantes no interior do campus da UFSC. Tratando-se do atual governo, nenhuma novidade em tamanha violência contra estudantes. Também acho importante que nossas associações docentes se solidarizem a esse movimento que defende um interesse que é da população como um todo, e não apenas dos estudantes.
Abraços

Francisco Canella

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Prazados/as,

Hoje pela manhã, contatei com os diretores do CEART, ESAG e com a reitoria, para solicitar uma reunião, juntamente com os alunos e alunas, para dar ciência do ocorrido ontem e buscar providências. Aconteceu as 18 hs, e estiveram presentes a reunião o prof. Milton (diretor do Ceart), prof. Mário (Diretor da Esag), Jimena (DEXT), Juliana Lengler (Procuradora da Udesc), Vinicius (pró-reitor de Administração), Paulino (PROEX), e Reitor, prof. Sebastião, com a presença de representantes dos alunos. Foram vários depoimentos, e os alunos apresentaram um documento com os fatos. Após os debates e diálogo, o primeiro encaminhamento será uma reunião da reitoria, professores da FAED e CEART e alunos com o Secretário de Segurança Pública, manifestando nosso posicionamento contra as truculências, e solicitando providências.
Será feita a coleta de fontes documentais (dossiê), e então avaliar os procedimentos seguintes, que pode ser o ministério público, ou outros caminhos.
Será colocada na página uma nota da UDESC, repudiando as atitudes de violência.
É importante, sim, que as Associaões se posicionem.
Estamos atentos/as.
Cordialmente,

(Marlene de Faveri, diretora do Centro de Ciências Humanas e da Educação-UDESC).

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É DEMOCRATURA?

Cacau Menezes

1 de junho de 2010

A invasão da Udesc pela Polícia Militar (estudantes foram presos em pleno pátio da universidade) é algo que não aconteceu nem na ditadura, o que permite perguntar se estamos, de fato, vivendo num Estado Democrático de Direito. Uma universidade pública é inviolável e a polícia só pode ter acesso com permissão do reitor.

Estudantes e outros manifestantes foram reprimidos com o uso de cassetetes, gás pimenta e farta distribuição de choque elétrico. O fotógrafo Hans Denis, que cobria o confronto, levou choques na barriga. Aliás, esta nova arma vem sendo usada indiscriminadamente nos confrontos de rua e se traduz, na definição do jornalista Celso Martins, do blog Sambaqui na Rede, num “pau-de-arara portátil”.

Qual o crime dos estudantes? Eles protestam, há 24 dias, contra o aumento da passagem de ônibus na Capital, que passou de R$ 2,80 para R$ 2,95.

Fonte: Coluna de Cacau Menezes no ClicRBS.

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01/06/2010 - 17h15min

Sargento Soares critica prisões
de estudantes que se manifestam
contra aumento da tarifa

A prisão de quatro estudantes na noite de segunda-feira (31/05), em manifestação contra o aumento das tarifas do transporte coletivo realizada na Udesc, motivou o deputado Sargento Amauri Soares (PDT) a falar sobre o assunto na tribuna da Assembleia Legislativa.

O parlamentar classificou as manifestações de “justas, necessárias e importantes”, motivadas por um ciclo vicioso que privilegia o transporte privado em detrimento do coletivo. “Os poderes públicos trabalham para satisfazer a ganância de lucro de meia dúzia de empresários do transporte coletivo, que é uma concessão pública, e quando a juventude se manifesta contra aumentos, a polícia é chamada para reprimir os manifestantes”, disse. Para Sargento Soares, o aumento da tarifa é “abusivo, criminoso e atenta contra os interesses públicos da população da Grande Florianópolis”.

O deputado criticou o comando do policiamento feito pelo tenente-coronel Renato Newton Ramlow, que a partir da segunda semana das manifestações, passou a prender os jovens – mais de 20 já foram presos –, além de jornalistas, e reprimir os manifestantes em sua saga de combater os movimentos sociais.

Sargento Soares sugeriu o desenvolvimento de uma política pública de transporte para as grandes cidades, envolvendo todas as esferas de governo. “A responsabilidade é das autoridades municipais, estaduais e federais. É uma vergonha e a população fica refém e a mercê dos interesses dos empresários que se enriquecem à custa da espoliação do povo trabalhador das maiores cidades”.

Alexandre Brandão
Assessor de imprensa do gabinete do deputado Sargento Amauri Soares
(48) 9911-0272 e 3221-2640
contato@sargentosoares.com.br

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2 comentários:

Nadjanara disse...

A mesma desculpa para os atos de ataque aos navios de ajuda humanitaria em Israel era que existia 'infiltrados'.

isso agora virou justificativa para a intolerância. agora não... desde os idos de 64.

Anônimo disse...

Parabéns pela cobertura.

Vejam vídeo de 3 minutos da PM na UDESC http://tiny.cc/zuvpl , mostra momento das prisões.


Tiago W.