2.7.09

FECHOU O TEMPO NA
PONTA DO SAMBAQUI

Presidente da Associação dos Maricultores do Norte da Ilha, Nei Leonardo Nolli, instala cultivo de moluscos em área indevida. Iniciativa gera reação de pescadores. Trânsito de embarcações está em risco.


Bate-boca no mar chamou a atenção de quem foi
acompanhar o entardecer na Ponta do Sambaqui.


Instalações de cultivo de molucos devem ficar distantes da praia.


Local onde o maricultor Nolli instala
seu cultivo. No fundo a área permitida.

Equipamentos de cultivo estão na rota
de chegada das embarcações à praia.


Discussão tensa entre o pescador e um funcionário de Nolli.


Troca de acusações, palavrões e ameaças ecoam pela Ponta.

Rede de espera entra na conversa e pode haver retaliação.

Quem não tem nada com esse peixe navega tranqüilamente...

...ou vai embora para não ouvir a troca de acusações.

Um comentário:

pousodapoesia disse...

A questão na Ponta do Sambaqui está muitíssimo mal parada e não é de hoje, todos sabem.

Sabem, mas calam. E calam pela falta de administração crônica em nossa cidade, o que incentiva a absoluta ausência de civilidade.

Qualquer um que venha à Ponta neste momento, encontrará a menos de 10 braçadas da praia uma cortina de galões de variadas cores e tamanhos poluindo o que deveria ser uma das mais belas paisagens da Ilha.

Ontem, a escritora Urda Klueger, de Blumenau, hospedada em minha casa, foi ameaçada pelos "donos" da Ponta do Sambaqui por, escapando-lhe da correia, seu cão correr atrás do galo da família que há décadas invadiu a área pública.

Errada a Urda por deixar escapar o cão, por menor que seja seu pequinês, incorrendo contra o aviso da placa enorme ali implantada: "Proibido Animais na Praia".

Mas e o pastor alemão, os galos, galinhas, gansos e outros espécimes da família do "dono" da Ponta do Sambaqui, diariamente ali soltos ameaçando moradores e turistas de bicadas, mordidas ou contaminação virótica? O que são?

Apenas os que os "donos" da Ponta do Sambaqui costumeiramente envenenam, são animais?

De uma só vez envenenaram 14 cães, o que foi até notícia do saudoso A Notícia, mas nem por isso se tomou qualquer providência.

O que será necessário? Que alguma criança ingira o poderoso veneno que, na ocasião, espalharam na praia?

O que está faltando para se por ordem no enfavelamento do mar pela maricultura clandestina que ameaça a saúde de incautos e eventuais consumidores de ostras e mexilhões criados em águas rasas e poluídas pelos próprios produtores, seus animais e venenos para matar os animais de outros?

Algum esforço de raciocínio para concluir que poderão inviabilizar a atividade, inclusive àqueles que trabalham de acordo com os padrões recomendáveis?

O laboratório de maricultura da UFSC está em frente à área irregularmente ocupada. O que impossibilita aos técnicos da Universidade ou da EPAGRI a percepção da evidência?

O que impede à Prefeitura Municipal ou ao Governo do Estado a percepção da degradação turística e ambiental, ocorrendo ao longo de tantas décadas?

Ou está faltando senso de responsabilidade da Marinha, que detém a posse da Ponta do Sambaqui?

Enquanto não se descobre de onde parte a omissão, a ocupação da Ponta se degrada ano a ano, com a exploração comercial daquele espaço público até por estrangeiros, como o cidadão coreano que promovia sessões de "música" ao ar livre e em altíssimo volume.

Foi substituído por um "empresário" paulista que manteve o mesmo grupo de pagode, mas aumentou o volume.

Natural se considerar neste direito que certamente não reivindicaria se estivesse em sua terra, pois haverá de saber que lá há leis e instituições que façam ser respeitadas regras mínimas de civilidade.

Por estar hospedada há 5 dias em minha casa, Urda foi agredida aos berros de "vagabunda que não faz nada na vida". Estou certo que ela pouco se importa se a reconheçam como escritora, jornalista, membro da Academia Catarinense de Letras, proprietária de uma das editoras que mais promove a história, a literatura e a cultura de nossa gente pelo país e pelo mundo. Mas, conforme comentou, os habitantes originais, o milenar Homem do Sambaqui, certamente seria mais civilizado do que esse fruto do descaso de nossas inaptas instituições que deveriam, mas não o fazem, se responsabilizar por alguma coisa além da cobrança de impostos.